outros / 28 de setembro de 2012

Carta aberta ao Conar

A melhor piada da propaganda*

Publicitários, ouvimos falar que os senhores reclamaram que estão sendo vítimas de bullying.

Sabemos que as piadas fazem sucesso na publicidade, mas desta vez não deu pra rir.

Bullying sofremos nós, seres humanos comuns, ao sermos ameaçados de ficar invisíveis se não comprarmos o carro da marca que vocês anunciam.

Bullying é ser mãe e ter que engolir muda o desaforo de ser chamada de Coca-Cola em rede nacional, como se esse fosse o mais supremo dos elogios.

Bullying é sermos obrigados a ter axilas claras e hidratadas, cabelos sempre lisos e sedosos e um corpo que não exala odor por 48 horas.

Bullying é sermos convencidos de que só podemos sair às ruas com proteção. Solar, antibactericida e contra insetos.

Bullying é ter que consumir bebida alcoólica para ser da turma, pegar mulheres e curtir a balada.

Bullying é aprendermos desde criança que só beija quem tem dentes brancos, brilhantes e hálito american fresh power plus.

Bullying é ter que engolir comida de isopor para ganhar um brinquedinho.

Bullying é sermos obrigados a fingir que acreditamos que os bancos são nossos melhores amigos.

Bullying é nos barrarem no treino se não estivermos barbeados com três lâminas que fazem tcha tcha tchum.

Bullying foi ter aguentado, durante décadas, grandalhões dizendo que inalar fumaça e soprá-la na cara dos outros era uma decisão inteligente.

Bullying é rirem da lancheira dos nossos filhos porque nela não entra bolacha recheada, refrigerante, pseudosuco ou salgadinho de milho trânsgênico.

Bullying é ficar gordinho, ter pressão alta, colesterol e pré-diabetes porque ninguém conta pra nossa mãe que aquilo que ela vê na TV pode ser prático, mas também pode fazer mal.

Bullying é nos passarem a cola errada e nos fazerem confundir azeite de oliva com maionese industrializada.

Para terminar, bullying é sacanear os pares. E nunca fomos pares para os senhores.

Portanto, façam um favor a si próprios: não saiam por aí chamando a tia e vertendo lágrimas de crocodilo porque ninguém acredita na sua choradeira.

Argumentem, defendam seus interesses, mas poupem-se do ridículo.

*Post publicado originalmente no Ombudsmãe


Tags:  bullying conar

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Mariana Sá




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Carta aberta a sua carta aberta, querida consumidora(o):

Sim, estamos sofrendo bullyng de pessoas mal humoradas, preguiçosas, indisciplinadas, inconsequentes que se chamam consumidores, mas muitas vezes são só uns chatos bebês chorões, que culpam a nós publicitários, por tudo de errado que existe no mundo e não fazem nada nem por si mesmo, nem pelos outros.
Vamos aos fatos: seguindo sua cartinha pueril. Vou acreditar que você tem 13 anos de idade, para poder responder de boa.
1. Vocês não precisam comprar carros da marca que anunciamos. Aliás vocês nem precisam comprar carros, podem andar a pé, de bike, de carona, de ônibus, mas vocês costumam comprá-los por preguiça ou para poder esfregar na cara de suas cunhadas invejosas que vocês tem um carro, um símbolo de status datado pra caramba;
2. Vocês não precisam ter axilas claras, pele hidratada, cabelos sempre lisos e sedosos e não exalar cheiro por 24 horas, mas existem questões de higiene que envolvem beleza e, claro existe uma cobrança enérgica da sociedade por juventude e beleza e nós publicitários como pessoas, também somos vítimas, assim como vocês;
3. Vocês não precisam beber para serem da turma, pegar mulheres e curtir a balada, mas seus egos são tão frágeis sua auto-confiança tão ínfima que sim, vcs se encharcam de bebida para sentirem-se melhores, conquistar o sexo oposto e depois fazer um sexo sem graça, incompleto e vazio, e terem vergonha disso no outro dia, repetindo a situação novamente no outro final de semana;
4. Vocês não precisam comer comida de isopor para ganhar um brinquedinho, comam vegetais frutas e carne e ficarão saudáveis e ensinem isso veementemente a seus filhos, com convicção, exemplos e firmeza;
5. Vocês não precisam fingir que bancos são seus melhores amigos, eles, a rigor não são, visam o lucro máximo com o seu dinheiro. Evite-os ao máximo e uma das formas de fazer isso é não consumir indiscriminadamente para aplacar o vazio interior causado pela falta de cultura, exercícios e boa alimentação, que são coisas incrivelmente baratas e acessíveis;
6. Se riem dos seus filhos pq na lancheira não há o lanche da hora, ensine seus filhos o valor dos alimentos, eu e outros adultos pré-bolachinha bono levávamos frutas, sanduíches e ovo cozido, sim havia algum bullyng mas nós reagíamos com a aducação alimentar que nossos pais nos deram e hoje estamos aqui muito bem obrigado;
7. Ficar gordinho, ter colesterol e pré-diabetes, salvo raros casos de herança genética é pura preguiça dos pais em educar os filhos e cobrar uma alimentação adequada, é sempre mais fácil entregar um pacote de bono e uma coca-cola e vocês fazem isso o tempo todo com seus filhos;
8. E, sim, o topo do Bullyng é culpar um profissional que não detém o poder de produção destes produtos que “oprimem” você, consumidor imaturo, bullyng é culpar esse profissional quando, de um lado existe uma indústria poderosa, muito maior que a da propaganda, da qual somos apenas ferramenta; e de outro uma quantidade absurda de pessoas que não estão nem aí para sua educação alimentar e de seus filhos, gastam muito mais do que podem inconsequentemente a vida toda, compram produtos e coisas que não precisam apenas para se exibir e usam produtos que até podem fazer mal para seu corpo, para acobertar ou mascarar seus egos frágeis e inseguranças mal resolvidas; pessoas egoístas que nem sequer cuidam de si mesmas praticando exercícios gratuitos, e põe a culpa, como crianças grandes egoístas e estúpidas que são, na mensagem, no mensageiro. Sim nós usamos o humor para vender esses produtos. Porque se usássemos a verdade, vocês se matariam.
Alexandre Assumpção, publicitário, pai de família, que pratica esportes há 27 anos, não usa carro e não toma coca-cola nem come MacDonalds. Muito orgulho de tudo.


    May 25, 2013

    Alexandre, é sempre bom ouvirmos um pai que se preocupa com a saúde e qualidade de vida da sua família; um pai que sabe lidar tão bem com o assédio publicitário.

    E nosso objetivo é, de fato, fornecer informações e estimular o debate para que possamos, todos, abrir os olhos para os abusos publicitários, que você não há de negar que existem. Se não existissem, o Conar seria uma entidade totalmente desnecessária.

    O esforço do Movimento Infância Livre de Consumismo está focado na publicidade infantil. Os exemplos iniciais que você deu (carro, bebida, produtos de beleza e higiene pessoal) referem-se à publicidade voltada para adultos. Nós acreditamos que os adultos já têm as ferramentas necessárias para lidar melhor com esse assédio – embora acredito que nem você mesmo negue o poder do neuromarketing para manipular até as mentes mais preparadas e críticas. Nós queremos apenas que a publicidade voltada para o público infantil acabe – ou, no mínimo, fique sujeita a regras muito mais rígidas do que as existentes hoje.

    Ninguém aqui tem preguiça de educar e conversar exaustivamente com os filhos. Mas você há de convir que na maioria das vezes a concorrência é desleal, não é mesmo? 🙂

    E, para concluir, nós não estamos buscando culpados. Estamos lutando para que todos assumam sua parcela de responsabilidade: pais, empresas, publicitários e Estado. Porque acreditamos que uma infância saudável e feliz depende de toda a sociedade, depende de cada um fazer a sua parte.

    E você, sendo pai e publicitário, com certeza tem muito a contribuir para esse debate. Temos certeza de que tem dicas valiosas para nossos leitores.

    Abraço e obrigada pela participação!


May 24, 2013

O que eu acho engraçado é que todas essas situações citadas não foram os publicitários que inventaram. As pessoas são assim. A publicidade se alimenta da vida. Simples assim.


May 26, 2013

Sou um publicitário arrependido. Detesto trabalhar com isso. E se outros publicitários acham que devem se isentar de responsabilidade por seus atos é porque ignorância é o que não falta nessa classe que não entende um conceito como cultura e os efeitos da publicidade sobre ela.



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