denúncias e sentenças / 7 de agosto de 2013

Anunciantes e mídias-mães: uma relação perniciosa

Texto de Mariana Sá*

Não sou uma pessoa que entende muito bem de internet e recentemente percebi que conheço pouco até mesmo a blogosfera materna (inclua aí twitter e facebook, além de outras redes sociais), um pedacinho deste mundo que frequento há um bom par de anos.

Se a internet fosse um planeta, se a blogosfera fosse um país e se a parte dedicada às mães fosse uma cidade, arrisco dizer que vivo num quarteirão. E é um quarteirão tão rico, tão produtivo, que me basta.

Mesmo frequentando apenas um quarteirão, percebi algumas mudanças importantes desde que comecei. Uma das que mais me chama atenção é o interesse de empresas, agências de mídias digitais e anunciantes em estarem presentes neste quarteirão, dada a credibilidade das opiniões maternas. E venho me intrigando justamente com a relação entre esse mercado e as mães-mídia (a famosa mãe blogueira).

Descobri recentemente qual a fonte deste interesse: estive numa reunião sobre primeira infância na Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, em São Paulo, no dia 20/6, junto com outras colegas blogueiras (mães-mídia).

Lá nos foi apresentada uma pesquisa que investiga as principais fontes de informação que as mães utilizam para tomar decisões relativas aos cuidados com os filhos: as mães dão muita importância à opinião de outras mães e às informações que estão na internet para decidir sobre o cuidado com os filhos, perdendo apenas para as recomendações do pediatra. Agora junte a mãe experiente (ou que pelo menos pareça experiente) e um canal na internet para que tenhamos ideia do potencial deste encontro. Uma ideia do poder e da responsabilidade que temos quando possuímos um canal de comunicação com outras mães.

Numa tentativa de organizar meu pensamento para sistematizar uma opinião pessoal, resolvi deixar duas coisas muito claras de saída:

1. Acho legítimo que uma pessoa que produz conteúdo de qualidade seja remunerada por isso;

2. Acho legítimo que anunciantes queiram associar suas marcas a alguém que desfrute de alta credibilidade.

Os dois interesses são legítimos, então estaríamos diante de uma relação excelente para as duas partes se a relação fosse entre dois atores de igual estatura. Ora, quem são as donas do veículo de comunicação? Salvo algumas poucas exceções, a dona em questão é uma mãe que começou de maneira provavelmente amadora a registrar e a produzir conteúdo, e por sua autenticidade passou a se beneficiar com audiência, relevância e credibilidade. Por sua vez, o anunciante em questão é assessorado por uma equipe tão profissional dispondo de pesquisa tão boas quanto vultosas forem as suas verbas.

No seu radar, o anunciante localiza esta mãe ouvida, relevante e acreditada. E começa uma relação com a mãe-mídia. As agências mais “pobrinhas” (ou mais espertinhas mesmo) oferecem um release e umas imagens que, não sei a troco de quê, as mães-mídia colam nos seus blogs.

À medida que os anunciantes vão tendo mais estrutura, oferecem um link na própria página em troca de conteúdo que normalmente alimenta as colunas dirigidas às mães e enriquece o site do anunciante, enquanto confere prestígio e cliques à mãe-mídia.

Daí a mãe-mídia começa a receber brindes que são fotografados e postados junto com a experiência de uso no blog (eu mesma já fiz isso). Porque ganhar um brinde é um atestado de relevância, é um sinal de ter sido levada em conta. É o momento de trabalhar de graça para crescer em prestígio e seguidores.

Já num esquema mais profissional, a mãe-mídia cuida da aparência do blog e começa a pensar no seu press kit. Pode começar a ser convidada para eventos e receber infinitas propostas de parceria por e-mail. Agora é o momento de colher: a mãe- mídia e o anunciante – via agência – sentam-se e negociam um valor pelo espaço e a relação fica bem clara: há quem venda apenas um espaço, há quem venda a sua opinião. Isso vai da consciência da cada um e da linha de cada blog; estando tudo muito claro para as duas partes, para mim está tudo bem.

Meu incômodo mesmo é quando o deslumbramento com um suposto prestígio inebria, quando o deslumbramento com os paparicos enlouquece. É quando a mãe-mídia se oferece como voluntária e gratuitamente começa a advogar para uma marca. Os anunciantes sabem deste deslumbramento, por isso planejam com muito cuidado as suas ações, tanto cuidado quanto têm com a escolha da mãe-mídia certa para cada evento, pois quando escolhem uma errada o tiro sai pela culatra.

Sei que nem todo mundo é obrigado a saber como os bastidores do marketing funcionam, mas munir-se de um pouco de desconfiança é fundamental. É bom saber que os caras estão vindo com tudo para cima das mães-mídia: eles sabem muito sobre nós, eles têm sofisticadas pesquisas de mercado, eles fazem monitoramento do que sai sobre eles, eles contam com a ajuda de algumas outras mães-mídia para saber quem é quem nesta vastidão de perfis, e essas normalmente são consultoras ou curadoras das ações de marketing.

E é isso me intriga! Intriga-me especialmente porque não acho que ninguém – especialmente quem está produzindo conteúdo com tanta qualidade – seja ingênuo a ponto de emprestar sua credibilidade a uma marca qualquer a troco de nada ou quase nada.

Recentemente algumas mães-mídia foram para o Rio de Janeiro para fazer amizade e ouvir contra-informação de uma marca de refrigerante. O fato é que comunidades científicas e médicas do mundo inteiro começam a ter coragem para apontar os perigos das bebidas açucaradas para a saúde pública. É óbvio que o fabricante não vai ficar parado esperando as vendas caírem.

Daí, entre MUITAS ações, chamou mães-mídia do Brasil inteiro para advogar contra o sedentarismo, como se aquela marca não fosse parte do problema da obesidade, como se o exercício físico fosse resposta melhor do que parar de beber a porcaria do refrigerante – ou, pelo menos, moderar e muito no consumo. Muito mais fácil colocar a culpa nos pais que não promovem o esporte do que ser claro de dizer que bebida açucarada engorda e que bebida diet não faz bem para a saúde.

Pelos mais diversos motivos, muitas foram e advogaram pela marca nas suas redes. E eu iria se tivesse sido convidada, iria movida por uma curiosidade autêntica, afinal sou publicitária, e por uma vontade de ver em carne e osso as minhas amigas – iria mesmo, não vou mentir! – mas eu não advogaria pela empresa, aliás eu faria justamente o contrário, por isso este convite jamais chegaria para mim, não precisam de dois cliques para saber que seria um mega erro me colocar naquele espaço; um erro que uma empresa do porte da que estamos falando jamais cometeria.

Nesse evento não foi assinado nenhum contrato de contrapartida, mas mesmo assim mães blogueiras, tuiteiras, feicebuqueiras e jornalistas disseminaram várias informações que representam verdadeiros desserviços à infância.

É quando a mãe diz tchau e fica só a mídia.

Mariana é publicitária e mestra em políticas públicas. É mãe de dois e escreve no blog viciados em colo. Co-fundadora do Movimento Infância Livre de Consumismo.

(Há alguns meses, Mariana participou de um hangout promovido pelo Mamatraca sobre este assunto. Para ver, clique aqui.)

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Tags:  mães-mídia mídia e blogueiros mídia e mães blogueiras publicidade em blogs

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Mariana Sá




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15 Comments

Aug 07, 2013

Eita que bom caldo saiu deste encontro, tá na hora então de começarmos a enfiar a colher no mesmo caldeirão e nos unirmos porque a única alternativa pra contrapor tanto poder de mães-mídia é sendo alternativa. Bora começar a pensarmos juntas pra não sermos só formiguinhas, mas formigueiro


Aug 08, 2013

Uau, Mari! Muito legal esse seu texto. Eu lembro que quando comecei com o blog em 2009 eram bem poucos os blogs de mãe e alguns faziam sorteios, promoviam de graça o trabalho de outras mães empreendedoras. Eu achava bem legal. Em 2011, acho, os blogs maternos foram invadidos pelas grandes marcas naquele lance de mandar o brinde para casa, daí tem postagem falando do produto, ou então mandar brinde para sorteio. Tinha blog que tinha texto diário só para promover sorteio de brindes. Eu sempre me questionei sobre isso, não sobre a legitimidade de uma relação de parceria/trabalho, mas sobre o fato da marca estar ganhando muito e gastando pouco, e a mãe, o lado fraco da moeda, deslumbrada com toda a atenção e acessos, começava a cair muito na qualidade dos textos, que antes eram mais reais e passaram a ser mais comerciais. Eu ando numa fase terrível de teoria da conspiração…Beijos! Nine


Aug 08, 2013

isso. já vi uns anúncios nada a ver em uns blogs, na hora fico com preguiça e não subscrevo. O minha mãe que disse foi uma decepção nisso.


Aug 08, 2013

Tão real isso! Acompanhei (e acompanho) blogs que passaram claramente por esse processo. Senti quando as blogueiras passaram a promover marcas e produtos – de uma maneira muito honesta, deixando claro que haviam recebido brindes, etc – e, de fato, o conteúdo perde muito em qualidade e passa a ser de promoção pessoal e marketing.


Aug 08, 2013

Bom, vou escrever aqui no estilo “dando a cara a tapa” rsrsrs…
Primeiro, eu adorei o texto! Estou copiando o link imediatamente para o grupo de blogueiras-mães que sou fundadora/administradora, por lá eu tô sempre falando isso, que a MÃE tem que estar antes da MÍDIA, mas parece que tenho trabalhado sem sucesso 🙁
Eu sou mãe-mídia, eu vendo espaço publicitário, nunca a minha opinião, nunca os meus valores, eu sou sempre convidada para eventos, inclusive estive nesse da marca que voce cita e posso te dizer que ouvi absurdos que dão medo, mas eu fui, porque gosto de ouvir sempre todos os lados (mesmo que no fim acabe não acrescentando em nada, a experiencia é sempre válida), quem me conhece do grupo de blogueiras sabe da minha briga para que as meninas não se vendam, para que a blgosfera materna ofereça conteúdo honesto e de qualidade, inclusive foi com esta intenção que criei o grupo, eu só estou dizendo tudo isso aqui para desabafar mesmo, porque estas ultimas semanas parece que eu estou nadando contra a corrente e to meio cansada…
Mas sigo em frente, cuidando do meu jardim e tentando ajudar as jardineiras vizinhas, não tá facil e tem coisas que entristecem, e muito! 🙁


Aug 09, 2013

Mariana do céu…. Vc traduziu meu sentimento de frustração… sou editora do Vida de Viajante, que tbém está no ar um par de anos… e desde que descobri a tal da blogosfera e venho acompanhando e participando desse mundo, tenho me decepcionado com alguns(mas) colegas.
De um lado curtem e compartilham páginas a favor de uma infância saudável e livre de consumismo… de outro, no blog – banners de empresas de sucos artificiais, refrigerantes, chocolates que trazem brinquedos (até eu cai nessa uma vez)…
Que bom que vc “traduziu” esse sentimento em palavras e se expôs dessa forma. Coragem de poucas. Obrigada 🙂


Aug 11, 2013

Perfeito seu texto… e me desculpe o desabafo, não sou blogueira, mas desde que engravidei comecei a acessar os blogs, e neste último ano diariamente visito e acompanho alguns, outros deletei… como “apenas mae”, fico chateada qdo vejo tentativas de manipulação, ou até já conversei pessoalmente com blogueiras, e percebi de cara que só querem ganhar sua grana e privilégios… Até aí tudo bem, mas qdo vc percebe que é só puro marketing, me enoja muito. Parabéns pelo texto…


Aug 11, 2013

Mariana, já há muito tempo acompanho você e seu blog, e confesso que muita coisa boa que pratico na minha maternidade eu tirei de lá.
Acompanho o Infância livre de consumismo, também, e super apoio todas as iniciativas da causa.

Parabéns pela atitude deste post, com certeza daqui sairão muitas reflexões de ambas as partes citadas acima!

Beijos Natália


Aug 12, 2013

Perfeito, Maricota! Compartilho de quase todas as suas percepções. A minha única dúvida é se as agências conhecem tanto assim cada “bairro” dessa blogosfera enorme de deus… minha impressão é que eles atiram pra todos os lados pra ver quem morde a isca. Se essa preocupação em filtrar o perfil da mãe antes de jogar a proposta existe, acho que é mais recente – por conta dos tiros no pé (caso que vc citou) e das respostas desaforadas que eles recebem de volta (eu mesma já mandei várias, é ótimo para desopilar o fígado!)

Mas fora isso, concordo com tudo. Ganhar dinheiro com blog deveria ser possível e desejável, desde que a credibilidade continue intacta. A blogosfera materna está enorme e vejo todas as posturas possíveis dentro dela: do blog absolutamente fechado para qualquer tipo de publicidade ao blog que é quase só isso. Entre um e outro, mil jeitos de tentar equilibrar conteúdo com anúncios. Até hoje não sei quem está de fato conseguindo…

Pra mim, hoje, a ideia de se viver de blog materno soa absurda, impossível. Porque percebo que existe – em mim, nas minhas sócias no MMqD, nas blogueiras que eu mais respeito e me identifico – uma postura em relação a publicidade que não permite grandes concessões. A gente não ultrapassa aquele ponto que precisaria ultrapassar para ganhar dinheiro de fato – afinal, quem tem verba de publicidade são as grandes-marcas-do-demônio, né? Então ficamos ali nas pequenas ações, nos precinhos amigos, nos anunciantes pequenos-mas-limpinhos. A renda? Igual ou próxima a zero no fim do mês. E qualquer tentativa de ir um tiquinho mais pra lá encontra uma resistência grande por parte de algumas leitoras – vide o comentário lá em cima que usou o Minha Mãe que Disse como exemplo de “decepção” com essa relação mídia/empresa (pausa para ir buscar o queixo que foi parar lá no chão).

Mari, me dá licença pra um direito de resposta? Até porque vou entrar nessa questão que coloquei dos limites, das concessões e tal. Deixa eu contar um pouco como as coisas funcionam por lá, porque olho para o MMqD, tadinho, e não consigo ver o que estamos fazendo de errado – fora o fato óbvio de que não ganhamos dinheiro AND damos a impressão de que o site se relaciona de forma “nada a ver” com a publicidade. (“‘Nada a receber’, isso sim”, disse a Ro, haha!).

O MMqD é um portal que agrega grande parte da blogosfera materna, uma espécie de “vitrine” para mães blogueiras publicarem seus textos. Temos um cronograma de trabalho dividido entre as três editoras e uma despesa cada vez maior com servidor/hospedagem (o site é pesado, precisamos de atualização frequente, enfim). Então o MMqD desde sempre foi um espaço aberto para anúncios, até para viabilizar a sua existência (ele exige muito mais trabalho e comprometimento dos que os nossos blogs pessoais). Trabalhar de graça ninguém quer nem deve, certo? Porém contudo todavia temos uma política bem restritiva em relação aos anúncios que atrapalha um bocado a nossa remuneração, ó:

-NÃO anunciamos: produtos que não usamos nem a pau, comidinhas que fazem mal, brinquedos idiotizantes, produtos sexistas, canais de TV, franquias/shows de gosto duvidoso, aquela grande indústria de alimentos que fode com a amamentação, aquela outra que apoia reality show de bebês e vários eteceteras do tipo. A regra é clara: se somos contra, não anunciamos (a gente até pode usar dentro de casa, veja bem, mas a gente não vai promover no portal por uma questão de responsabilidade).

-Topamos anunciar: produtos que usamos ou usaríamos e/ou são úteis de modo geral (exemplo: produtos de higiene, roupas, alguns serviços). Aquele tipo de produto que não causa orgulho nem vergonha, saca? Se o anunciante bancar o nosso preço, fazemos. É basicamente desse tipo de anunciante que vem a nossa renda.

-Promovemos (com prazer, mesmo que por pouco ou nenhum dinheiro): livros, brinquedos educativos, empreendimentos bacanas de outras mães/pais, pequenos empreendedores com produtos simpáticos, espetáculos interessantes. Essa categoria a gente negocia com carinho, anuncia por preços módicos ou promove até de graça – aí entram os sorteios como uma contrapartida para quem não tem muita verba, por exemplo.

Pois bem, essa é a nossa política de anúncios. Acontece que livros, brinquedos educativos e pequenos empreendedoras em geral não tem muita verba, ou pouca, quiçá nenhuma. Quem tem verba são as empresas médias/grandes que a gente não curte tanto, mas que vivem nos abordando. Então vamos rebolando entre um anunciante legal – e pobre – aqui e um anunciante médio – e que paga o preço – ali.

Ah, detalhe: estamos falando só de banner e sorteios, ok? Publieditorial – post pago, com a pauta definida pelo cliente e o texto escrito por nós – nem existe no nosso mediakit. A gente evita porque sabe que é um conteúdo chato e que gera desconfiança nos leitores (escolha burra em termos de grana mas justificada pela nossa postura cheia de dedos em relação à publicidade).

Mas veja: volta e meio aparece uma proposta de publieditorial que passa pela peneira acima. Botamos nosso preço, eles bancam (pasmem!, isso é raríssimo). Então a gente sabe que publieditorial é chato, mas também sabe que ele paga o que a gente levaria de 4 a 6 meses para ganhar nos anúncios convencionais. Parece justo, vai? Até porque não fazemos um por semana, nem um por mês. Pra falar a verdade, em mais de dois anos de portal, fizemos dois publis para marcas grandes e uma ação para uma startup gringa que incluia um publi e a promoção de um concurso. Se botarmos na conta os posts de sorteio (em torno de 15 – inclua aí uns 5 livros, ingressos para peça de teatro e um sorteio que arrecadou doações à AACC), ainda temos menos de 20 posts “publicitários” em um total de 476 posts já publicados no MMqD.

Então vejamos: arredondando pra cima, temos 20 posts que incluíram algum tipo de publicidade contra 456 posts de conteúdo livre. Nunca publicamos fotos de eventos ou brindes nas redes sociais. Nunca anunciamos nada que fosse constrangedor. Nunca aceitamos “sugestão de pauta” enviada por empresas. Nunca topamos aquele tipo de ação de enche o corpo do texto de hiperlinks. Nunca topamos anúncio que pula na cara do leitor. Escolhemos os banners como a principal forma de anunciar, mesmo sabendo que a maioria das empresas quer mesmo fechar publieditoriais. Dizemos “não combina com o nosso perfil, obrigada” para vários potenciais anunciantes. De cada 50 abordagens que chegam pra gente, duas ou três vão de fato virar publicidade no portal. Sobretudo: estamos do mesmo lado da mãe que é contra publicidade infantil, consumismo, comida porcaria, brinquedo babaca. A gente tá do mesmíssimo lado da corda, pô! A gente vive brigando com as empresas (pronto, acabo de decretar a falência total do MMqD, hahaha)! Pra usar os termos da Mari: somos mães muito mais do que somos “mídia”! A prova é que não estamos nem perto de viver do MMqD. Nosso ganho é quase nada, é simbólico. E infelizmente é insuficiente pra deixar a gente na pilha de continuar, melhorar, editar vídeo, escrever texto (como diz a Rô, nós divertimos/informamos/conectamos os outros “porque somos a porcaria de uma ONG!”, hahahaha!). Restringir ainda mais nossos anunciantes seria decretar o fim do portal.

Então me entristece ver o MMqD sendo usado como exemplo negativo de relação marcas/blogueiras, saca? Acho injusto pra caramba! Mas claro, eu tenho a visão de dentro. E é meio aflitivo pensar que a impressão de quem está de fora (não sei se é geral ou se foi uma percepção isolada) é essa… fico pensando como é que, mesmo com TANTAS restrições, a gente foi parar nesse balaio – e não tenho nenhuma resposta além da noção de que talvez nenhum dinheiro vindo de publicidade seja digno. E aí, comofaz? Privatiza o blog e cobra assinatura? Pede doações? Tenta um financiamento coletivo? Temos alguma outra alternativa para rentabilizar nossa atividade como blogueiras, ou somos reféns dos anunciantes (e dessa cilada de que quem paga mais é quem “merece” menos e detona a nossa credibilidade?).

Coisas pra se pensar, hein colegas? Quem tiver a resposta me conta!

(Mari, beijão e desculpa a verborragia!)


    Aug 12, 2013

    Mari,

    antes de qualquer coisa: pode ter sido uma percepção isolada. Não acho que o MMqD dê a impressão de ser do tipo que aceita anúncio porcaria. Talvez a leitora tenha dado o azar de abrir justo num dia de publieditorial… Porque, pra quem é assídua por lá, fica bem evidente o cuidado. É só dar uma olhada em quem anuncia por lá.

    Não acho que pegue mal ter anúncio. Mas acho que todas as “novas” mídias –e não falo só de blogue de mãe, mas das dezenas de novas formas de se disseminar informações com credibilidade que não sejam jornal-revista-TV “mainstream”– tem de procurar meios alternativos de financiamento TAMBÉM. Conhece as meninas da Agência Pública? É uma agência independente de reportagem investigativa. Imagina como sobreviver sem $$ dos grandes anunciantes? Sim, porque esses grandes nem querem saber de anunciar em quem denuncia exatamente o tipo de picaretagem que eles fazem, né?

    Diferentemente de nós, elas têm despesas com equipes de jornalistas, com funcionários… E arranjaram patrocínios de fundações e estão indo atrás de crowdfunding. Talvez seja um caminho, sabe? O “Renascimento do Parto” está aí pra mostrar que tem gente interessada em contribuir. Conteúdo interessante a gente tem como produzir.

    Resumindo: acho que o MMqD está num bom caminho, acho que as mãe-mídia também. O negócio é que não dá pra pensar a nova mídia com a cabeça da tradicional, que vendeu a mãe e não entregou pra conseguir ter a grana que tem. Mas eram outros tempos. E a gente não quer vender a mãe, certo? Então temos de buscar a publicidade “limpinha”, que caiba nas nossas consciências, e outras formas de financiamento que ajudem a pagar as contas no fim do mês.

    PS: Não abri blogue pra publicidade e aqui falo mais como jornalista independente que como mãe-blogueira.

    Bjos


      Aug 12, 2013

      Nat, é isso mesmo. A resposta seria buscar formas alternativas de financiamento. Mas confesso que sofro de um certo pessimismo misturado com pudor quando penso em financimentos coletivos ou coisa parecida. Manter um site com dinheiro doado é um pouco além das nossas pretensões, sabe? Baita responsabilidade… Fora que também não consigo imaginar que isso seja possível dentro de uma blogosfera já tão saturada como essa da maternidade. Já um patrocínio parece mais viável – mas, again: patrocínio da Nestlé estamos dispensando, correto? Teria que ser de alguém acima de qualquer suspeita e sem apelo de consumo. Quem? Não faço ideia!
      Bom, mas realmente não tenho muita informação sobre isso, é o caso de pesquisar e entender melhor essas formas alternativas de monetizar um site. Não conheço a Agência Pública, vou me informar pra entender melhor…
      Beijo!


    Aug 12, 2013

    Pois eu acho que este comentário deveria virar post-parceria entre MMqD e MILC – para continuarmos a reflexão.


Aug 12, 2013

Mari,
{Flávia e Roberta na mesma conta}

O que vejo e converso muito é: dá, sim, para fazer publicidade sem vender a alma ao demônio e acho que é isso que aconetece no MMqD. Em um determinado momento que pensei em rentabilizar meu blog e meus termos eram muito parecidos com estes.

Prefiro mil vezes um banner no blog do que um tweet “adoro ete produto” | “—– funciona super bem salva minha vida” | “me deliciando com —–” | “meu filho e —–” | preencha com o produto que quiser, ou uma foto com azamiga na frente de uma tapadeira cheia de logomarcas – tudo muito inocente e informal. Como eu disse, não vejo problema em ser uma blogueira remunerada, não vejo mesmo.

Também não entendo como o MMqD foi parar como ilustração deste texto num comentário {e nem sei se você devem dar tanta importância a uma impressão}, até porque tem blogueiras muito piores fantasiadas de carneirinho por aí.

Talvez eu não entenda, porque não estou ‘fora’ do MMqD o suficiente para opinar, até porque tenho uma relação de afeto – pessoalmente – com vocês, com o Mamatraca e com a Vila Mamífera (para ficar só entre os portais).

Abração!
Mariana Sá


Aug 13, 2013

Vi crescer a blogosfera e pouco a pouco conheci muitas representantes. Adoraria que ela existisse há 10 anos atrás pois teria me ajudado muito com os primeiros meses do meu primeiro filho.

Hoje o que eu vejo é um reflexo da vida fora da internet: tem de tudo. Mãe com e sem noção. Mãe histérica, mãe deprê, mãe que acerta e erra no mesmo dia. Post bem escrito, post que podia ter ficado em um caderninho dentro da gaveta da cabeceira, ou só no pensamento.

Eu acho que as agências tem pouquissimo critério e pouquissimas cabeças pensantes por trás dos convites e das propostas de parceria. Claro, talvez lá no princípio, no planejamento, existam boas estratégias, super bem desenhadas, até para produtos péssimos.

Mas a verdade é que há mais mães gostam do tal refrigerante, de comidas não indicadas para nossos filhos e de brinquedos de gosto duvidoso do que mães com discernimento.

Juntando isto a um mercado pouco desenvolvido temos uma MERDA geral.

Mari, Flavia e Rô, a questão não são vocês, com certeza. A questão é que grandes marcas querem ganhar muito muito muito mas usar pouco ou nenhum dinheiro para divulgar suas ideias. Além de pagarem pouco ainda contratam pessoas pouco qualificadas para dar andamento em seus projetos (também por quererem gastar pouco).

Eu não abro o Coisas de Mãe para publicidade, ou posts patrocinados mas recebo propostas com uma certa frequencia. Muitas vezes da mesma agência, ao longo dos anos. O analista de redes sociais desta agência muda a cada 3 meses e nunca sabe que alguém já falou comigo sobre a mesma proposta.

Uma pena porque muito conteúdo bom por ai, fica sem patrocínio. Muitas mães mereciam poder viver deste conteúdo não só pela sua dedicação, mas por causa da qualidade da informação.


Sep 05, 2013

muito bom seu texto, mari. muito bom mesmo!



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