brinquedos e marketing / destaque_home / 5 de junho de 2014

“Você pode ser o que quiser” desde que seja loura, alta, magra e rica

Marina Cohen, repórter do jornal O Globo, fez uma matéria sobre a Barbie para a editoria Sociedade. Segundo ela, a ideia da reportagem surgiu quando souberam do documentário The Barbie Project, lançado pela Mattel, e então ela quis ouvir o pessoal daqui do Milc: ela queria saber a nossa opinião sobre a boneca e os padrões de consumo e beleza que ela promove. A ideia, claro, que seria fazer uma crítica mesmo. Respondemos as perguntas de Marina pelo email e resolvemos mostrar aos nossos leitores como foi a entrevista na íntegra:

Marina – Debora, vc é mãe de três, certo? Pelo que eu vi em um artigo seu, são dois meninos e uma menina, é isso? Com quantos anos eles estão?
Debora – Sou mãe de 3 crianças: Pedro Gabriel (11 anos), João Felipe (9 anos) e Ana Cecília (6 anos)

Marina – Você deixa sua menina brincar com Barbies?
Debora – Eu deixo meus filhos brincarem com muitos brinquedos, inclusive Barbies, mas aqui em casa ela é um brinquedo como outro qualquer e ocupa o mesmo espaço na caixa dos brinquedos com carrinhos, astronautas e cordas de pular. Como não assistimos muita televisão, meus filhos estão um pouco “protegidos” do assédio publicitário, minha filha não costuma saber qual é nem pedir a Barbie “da vez”.

Marina – Você acha importante as mães orientarem também as brincadeiras dos filhos, não apenas o dever de casa?
Debora – Eu gostaria que os pais não precisassem “orientar” brincadeiras dos filhos, pois o brincar é algo inerente à criança, basta ser criança para soltar a imaginação e brincar. Infelizmente estamos vivendo numa sociedade de consumo, o “brincar” foi transformado em filão de mercado, então nós, pais, precisamos ficar atentos a como e com o que nossos filhos estão brincando.

Marina – Assim como a TV, os filmes, a escola, os brinquedos também influenciam na formação da identidade das crianças?
Debora – As crianças são em formação e está vulnerável a muitas influências externas, como elas criam um vínculo afetivo com personagens e brinquedos é claro que tentarão aproximarem-se o máximo possível daquela idealização.

Marina – E qual você acha que é a influência que as Barbies têm na cabeça das meninas?
Debora – Antes do aparecimento da Barbie, as meninas brincavam com bonecas bebês, ou seja, eram treinadas para serem mães. A Barbie tem formato de uma mulher adulta com muitas profissões e aventuras. A princípio parece uma ideia interessante que as meninas tenham essa possibilidade de pensar que podem ser muito mais que apenas “mães”, mas, se formos observar a Barbie colocou um padrão de beleza e consumo praticamente inatingíveis, ou seja, “você pode ser o que quiser” desde que seja loura, alta, magra e rica! É muito cruel!!! Sem contar os milhares de acessórios que a boneca “exige” e a supremacia da cor rosa. Aqui em casa as Barbies estão descabeladas de tanto brincar, com roupas feitas por nós e com nenhum acessório específico.

Marina – O MILC trabalha alertando principalmente sobre os efeitos da publicidade. No caso das Barbies, o quanto a publicidade afeta as meninas?
Debora – O Movimento Infância Livre de Consumismo é formado por mães e pais preocupados com os efeitos da publicidade direcionada às crianças, no caso da Barbie existem várias maneiras de assédio à criança, a começar pelo fato de lançarem frequentemente novos filmes que é uma estratégia de marketing com forte poder de influência para vender bonecas da personagem. O próprio comercial feito para televisão exerce um grande fascínio nas crianças, parece que aquela boneca se mexe, faz coisas incríveis. Uma criança assistindo aquilo vai acreditar que aquele brinquedo será capaz de fazer as mesmas coisas com ela.

Marina – Quais são as propostas do MILC com relação à comercialização de bonecas como a Barbie, por exemplo? Há propostas específicas?
Debora – Nossa prioridade é fazer valer o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Resolução nº 163/14 do Conanda que considera abusivo o direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança, “com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”. São abusivos os anúncios que contêm linguagem infantil, trilhas sonoras de músicas infantis, desenho animado etc. A campanha publicitária da boneca Barbie fere essa resolução. Criança não é consumidor, não pode ser tratada como público alvo, por isso lutamos para que a publicidade não seja mais dirigida às crianças, quer vender um produto? Anuncie para os pais!

Leia a matéria dO Globo na íntegra: http://glo.bo/1wMIvUd e conheça mais sobre

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Tags:  Barbie consumo entrevista gênero marketing

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Mariana Sá




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