Mais uma iniciativa do mercado tenta culpar os pais

Texto especial para o Milc de Mariana Sá*

Mais uma vez, uma associação do mercado promove uma iniciativa visando “educar os pais”. Mais uma vez, os figurões do mercado, vendo sua galinha dos ovos de ouro em vias de emagrecer, tenta usar de artifícios para impedir que a legislação de proteção à criança valha. Mais uma vez disfarçam de ação social e/ou plataforma dita educativa uma campanha para nos convencer de que não temos com o que nos preocupar em relação a direitos, que temos apenas que nos esforçar mais e amargar mais uma culpa sozinhos. Mais uma tentativa de jogar uma cortina de fumaça e convencer pais, justiça, estado e empresas que somos os únicos culpados pelo consumismo que é a nova religião oficial do Brasil: não passarão!

Não passarão, porque depois de quase três anos de disseminação de informação, as mães (especialmente as blogueiras) sabem que as empresas farão de tudo para nos convencer que não há ganho possível para os nossos filhos com a suspensão da comunicação mercadológica dirigida às crianças. Nós sabemos que eles apresentarão estudos de comportamento, pesquisas de opinião, filmes recheados de senso comum, de adultismo, machismo e responsabilização exclusiva da mulher, além de textos jornalísticos e peças publicitárias emocionantes para nos convencer que eles são bonzinhos e que a publicidade não faz mal às nossas crianças.

Sabemos também que eles dirão que educamos com medo, que não damos limites, que não sabemos ser pais, que somos ausentes, que somos nós os culpados pelos vazios no peito das nossas crianças de dos nossos próprios. Sabemos que eles vão tentar nos colocar umas contra as outras e fomentar um clima de vigilância, denuncismo e julgamento. Sabemos que eles não vão assumir que a cada trinta segundos tiram um pouco dos valores que nos preenchem e aumentam o buraco nos leva às compras. Eles não vão assumir que usam nossas vulnerabilidades, nossas dúvidas humanas para nos oferecer soluções que estão disponíveis nas prateleiras. 

Nós sabemos que não somos infalíveis, que não somos perfeitas, que temos dúvidas, medos, vulnerabilidades e ausências, que não podemos sempre dar o que a sociedade nos exige. E sabemos, portanto, que não precisamos de mais alguém a nos apontar o dedo e dizer: você tem medo! você está sendo radical! você não é uma mãe suficientemente boa! você não sabe educar seus filhos! nós podemos te ajudar a ser melhor! nós podemos dizer como fazer para continuarmos anunciando!

Eles não passarão, porque eles não têm boas intenções: eles querem apenas continuar produzindo lixo, licenciando inutilidades, anunciando bobagens, vendendo valores sem a nossa mediação.

Nós somos radiciais: vamos até a raiz para proteger nossos filhos, seja impedindo o assédio, seja mediando, seja analisando. É opção individual de cada mãe e pai: quem é você para dizer como fazer?

Nós não temos medo de educar: temos medo do que eles são capazes de fazer para nos impedir, justamente, de educar!

#EduqueComProteção #EduqueProtegendo #EduqueComAmor#EduqueSemPublicidade

* Mariana é mãe de dois, publicitária e mestre em políticas públicas. É autora do blog materno viciados em colo e é cofundadora do Milc. Mariana faz regulação de publicidade em casa desde que a mais velha nasceu e acredita que um país sério deve priorizar a infância, o que – entre outras coisas – significa disciplinar o mercado em relação aos direitos das crianças e não tem medo de parecer radical nas questões relativas à infância. viciadosemcolo.com


Tags:  #eduquecomamor #eduquesemmedo campanha do mercado consumismo mercado publicidade infantil

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Mariana Sá




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