destaque_home / livros e filmes / 18 de maio de 2017

Para educar crianças feministas #MilcRecomenda

Resumo do livro de  Chimamanda Ngozi Adichie por Mariana Sá*

Li com muita empolgação este pequeno livro escrito a partir de uma carta para sua amiga respondendo à pergunta que mães feministas fazem a si mesmas diariamente: como afinal educar uma criança para que ela possa contribuir para uma sociedade mais justa? Em seu primeiro livro, Sejamos Todos Feministas, Chimamanda deixa muito claro que a urgência do feminismo para libertar homens e mulheres e agora oferece um pequeno guia com dicas bastante objetivas sobre a criação das nossas meninas para a igualdade, sem a diferenciação por gêneros, respeitando a personalidade e os gostos da criança. Neste livro, ela se dirige muito às mães de meninas, porém é possível fazer algumas passagens para interpretar as dicas e praticá-las para com meninos.

Veja o que diz a resenha do livro:

“Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.”

Segue um pequeno resumo das 15 dicas de  Chimamanda para a sua amiga mãe e para todos nós, mães (e pais):

1. Seja uma pessoa completa. Não seja definida apenas pela maternidade. Ser mãe e trabalhar, no entanto, não significa ter que dar conta de tudo, ter que personificar uma super mulher.

2. Façam juntos, dividam as tarefas. Pai e mãe devem ser capazes de realizar todas as tarefas de cuidado com o bebê e com a casa, mesmo que um faça de uma maneira diferente que o outro. Quando fazemos algo que julgamos ser muito bem feito temos a tendência de achar que uma maneira diversa é pior. No entanto, é mais positivo olhar esta suposta deficiência na qualidade de maneira mais compreensiva e amorosa, sem críticas.

3. Não reproduza papeis de gênero. Nunca diga à criança para fazer ou deixar de fazer alguma coisa “porque você é menina” ou “porque você é menino”. Este nunca deve ser um argumento para nada.

4. Abrace o feminismo por completo. Não aceite ideias de um feminismo leve, relativo, um feminismo em termos: ou você acredita que mulheres e homens tem os mesmos direitos e deveres ou não acredita. É importante não relativizar ou diminuir a importância do movimento por conta de estereótipos ou de discordâncias sobre a condução da bandeira por alguns.

5. Cultive o amor pela leitura. Livros ajudam a entender e a questionar o mundo, a se expressar. Ler ajuda em tudo o que uma criança quiser ser da vida. Não livros da escola, mas romances, biografias, aventuras. Livros de todo tipo. Leia também. Dê exemplo e estimule.

6. Ensine a questionar a linguagem. A linguagem é o repositório dos nossos preconceitos, crenças e pressupostos. É necessário questionar a própria linguagem. Descarte ditos e ditados que reforcem ideias sexistas. Ah! A premissa do cavalheirismo é a fragilidade feminina. Gentileza podemos ser manifestada para meninas e meninos.

7. Não fale do casamento para as meninas como uma realização. Se meninos não são condicionados a aspirar por um bom casamento, meninas também não devem ser. Hoje em dia, por conta desta diferença de tratamento, o casamento tem mais importância para a mulher do que para o homem.

8. Meninas/mulheres não precisam ser agradáveis, boazinhas. Devemos estimular as crianças, especialmente as meninas, a serem honestas, bondosas, corajosas, a desenvolverem a sua autenticidade e personalidade, a expor suas opiniões, a dizer o que sentem. Devemos ensinar que o consentimento é importante, ser boazinha muitas vezes se confundo com ‘fazer concessões’ que não deseja.

9. Forme um senso de identidade. Conheça a sua ancestralidade e mostre como amar as partes bonitas e a rejeitar as que não são. Ensine sobre privilégio e desigualdade. Se a criança é negra, valorize a resistência dos africanos e dos negros, a sua história e a diáspora.

10. Atenção às atividades e aparências da criança. Esportes e atividades físicas são muito importantes a ajudam a reduzir inseguranças quanto à imagem corporal que o mundo lança sobre elas. Roupas, maquiagens e vaidades devem expressar o gosto e a personalidade, não devem ser impostas. Feminismo e feminilidade não são excludentes. Nunca associe aparência à moral. Também não associe cabelo à dor e sacrifício, no caso de crianças com cabelos crespos.

11. As normais sociais não são naturalmente construídas. A biologia não pode ser usada seletivamente como “razão” de normas sociais em nossa cultura. Normas sociais são criadas por seres humanos e não há nenhuma delas que não possa ser alterada.

12. Forneça linguagem para que a meninas possa falar sobre sexo desde sempre. Se liberte da vergonha e fale claramente. A vergonha serve ao controle que a sociedade espera ter sobre a sexualidade feminina. Fale de sexo não como ameaça. Nem como um ato meramente reprodutivo. Mas como uma coisa linda que pode trazer consequências não apenas físicas, mas emocionais. Que ela deve apenas dizer ‘sim’ quando tiver vontade e não por se sentir pressionada a fazer – aqui o consentimento e a necessidade de não ser ‘boazinha’. 

13. Forneça também a linguagem para falar sobre amor. Para amar é necessário entregar-se emocionalmente, mas também esperar receber. Amar é ser valorizada por outro ser humano e dar valor a outro ser humano. Isso deve ser ensinado às meninas e aos meninos. Meninos frequentemente aprendem apenas a receber valor. E amar não é prover.

14. Ao falar de opressão, tome cuidado para não converter oprimidos em santos. A santidade não é pré-requisito da dignidade. As mulheres não precisam ser boas e angelicais para ter seus direitos reconhecidos. Mulheres não são moralmente “melhores” que os homens.

15. Ensine sobre diferença. Dado que a diferença é uma realidade no nosso mundo e entender sobre diferença é uma preparação para sobreviver. Ensine a nunca universalizar suas experiências pessoais – o que é diferente de julgar ou não ter opinião: é ensinar a ser cheia de opiniões que provenham de uma base bem informada, humana e de uma mente aberta.

Mais importante no caso do consumismo e na análise dos produtos diferenciados por gênero destinados às crianças:

3. Não reproduza papeis de gênero. Não embarque na diferenciação de roupas, brinquedos e brincadeiras por gênero. E sempre que puder questione e subverta. Experimente e permita que a  criança experimente.

Clique aqui para baixar gratuitamente o livro Sejamos Todos Feministas, fundamental para romper os estereótipos sobre o feminismo e sobre as feministas. Se você acredita na ideia de que as mulheres devem ter os mesmo direitos que os homens e não se vê como feminista vale a leitura para perder o medo de se auto-intitular feminista (isso vale para homens e mulheres).

Se você é mãe, pai, professor, avó, avô, tia, tio, madrinha, padrinho ou se convive com crianças, faça este pequeno investimento de cerca de dez reias e leia o livro todo. Por maior que tenha sido o esforço para listar as dicas aqui, o livro traz exemplos e causos que explica e nos enriquece. É possível até que já existam versões gratuitas na internet. É um livro muito objetivo: dá para ler de pé na livraria se a grana estiver curta. Recomendamos muito!

(*)  Mariana Sá é mãe de dois, publicitária e mestre em políticas públicas. É cofundadora do Milc e membro da Rebrinc. Mariana faz regulação de publicidade em casa desde que a mais velha nasceu e acredita que um país sério deve priorizar a infância, o que – entre outras coisas – significa disciplinar o mercado em relação aos direitos das crianças.


Tags:  educação feminismo feministas livro mães feministas proteção à criança

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