destaque_home / publicidade de alimentos / 23 de janeiro de 2019

E por falar em pertencimento…

Texto especial pata o Milc de Debora Regina Magalhães Diniz*

Até alguns anos atrás, quando debatíamos publicidade direcionada a crianças e adolescentes, tínhamos como principal influência a televisão. Atualmente, esse lugar foi ocupado pela internet e, principalmente, pelas redes sociais. Uma pesquisa de 2016 apontou que 80% dos jovens entre 9 e 17 anos utiliza as redes sociais. No entanto, observar a influência das Mídias sociais sobre os hábitos dos adolescentes é algo muito recente e que precisa de muitos estudos.

 

Um fenômeno social a ser observado são os “media influencers”, influenciadores digitais que dominam a internet. Eles estão no Youtube, Instagram, Facebook e demais redes sociais. Por conta da aparente “proximidade” com os jovens, colecionam milhares de seguidores que se identificam com eles já que parecem mais “reais” que outras personalidades e, com isso, divulgam de maneira perniciosa uma enorme quantidade de produtos, entre eles, alimentos ultraprocessados. A publicidade descobriu nas mídias sociais um veículo de divulgação constante, com muita permeabilidade e pouca ou nenhuma restrição.

 

O word-of-mouth é uma poderosa, e simples, ferramenta de marketing. Estudos revelam que de 20 a 50 por cento das decisões de compra acontecem com a publicidade de boca a boca devido. Não é difícil compreender. O consumidor tende a ser muito mais receptivo a recomendações de alguém em quem confie e respeite do que em anúncios com apelo mais geral. No Twitter 49% dos consumidores procuram conselhos de influenciadores digitais, e  20% afirmam se sentirem inspirados a fazer suas próprias recomendações sobre determinado um produto depois de terem lido um tweet de um influencer. Dos usuários da rede 40% fizeram uma compra, pelo menos uma vez, após terem lido as opiniões de influencers.

 

Recebemos muitos relatos de pais que notaram o aumento do pedido por alimentos industrializados específicos por seus filhos por conta de divulgação dos mesmos em canais de Youtube. Um youtuber com milhares de seguidores, em sua maioria crianças e adolescentes, alegou não ser responsável pelo que seus fãs assistiam em seu canal preferindo culpabilizar os pais e os próprios assinantes por seus hábitos. Isso evidencia que, na internet não há nenhum tipo de controle sobre o que se veicula e, com isso, a divulgação de produtos vem disfarçada de conteúdo.

 

Mas não é apenas no consumo de alimentos ultra processados, causadores de obesidade, que os “media influencers” atuam. Podemos observar o sucesso que muitas páginas ditas “fitness” fazem entre os adolescentes. Por conta dessa influência, meninos e meninas acabam fazendo por conta própria dietas arriscadas, sem nenhum acompanhamento. As redes sociais, repletas de imagens plásticas e ilusórias, apoiadas pela indústria do consumo, atinge diretamente jovens que estão em fase de autoafirmação, configurando modelos inatingíveis e causando frustração, baixa autoestima e distúrbios alimentares como bulimia e anorexia.

 

“Os adolescentes, especialmente as meninas, tendem a apresentar preocupações com o peso corporal por desejarem um corpo magro e pelo receio de rejeição, constituindo um grupo mais vulnerável às influências socioculturais e à mídia. Além disso, são importantes consumidores de tendências, entre elas, usam intensamente as mídias sociais como modo de comunicação e “informação”, e estas, por sua vez, parecem exercer importante influência sobre a insatisfação corporal.


Este foi o terceiro texto da Série Especial: Alimentação na Adolescência.


(*) Debora Regina Magalhães Diniz é mãe de três, cofundadora do Milc, cursou Letras e Semiótica. É professora, doula e educadora perinatal. Atualmente vive no Vale do Paraíba e é uma das coordenadoras da Roda Bebedubem. É ativista e implicante com a sociedade atual desde sempre. 


Tags:  #comidadeverdade #comidadeverdadenãotempublicidade #quemcozinhacomemelhor alimentação na adolescência

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