publicidade de alimentos / 30 de novembro de 2012

Sorvete sabor cerveja? Não, obrigada!

Texto de Mariana Sá*

Hoje uma notícia inusitada apareceu na minha tela: uma cervejaria vai lançar um sorvete sabor cerveja para refrescar o verão! Ora, se eu não tivesse filho, ou se tivesse e ainda não tivesse sido iniciada na atividade da reflexão e do questionamento, acharia este lançamento muito divertido!

A promessa da empresa é surpreender o consumidor, estar bem perto, se antecipando às tendências de mercado. O desejo do setor de comunicação da empresa é transformar o sorvetinho na sobremesa do verão. Realmente muito divertido!

Além de divertido, o produto promete ser inofensivo por não conter álcool e ter a venda permitida apenas em bares, evitando assim que crianças e adolescentes tenham acesso ao produto no ponto de venda, porque, afinal, o sorvete está associado a uma marca “para maiores”.

E se é tão divertido e potencialmente inofensivo, por que, cazzo, estou aqui reclamando?

Porque eu não sou besta e sei que esta é sacada super eficaz para acostumar o paladar dos jovens a algo que normalmente as pessoas levam tempo para gostar por causa do sabor amargo da cerveja, levando tempo para apreciar. Retorno de imagem (e financeiro) a curto e a longo prazo!

Fazer um sorvete com sabor de cerveja, mesmo sem álcool, – assim como fizeram com o Ovo da Páscoa – é uma estratégia para fidelizar clientes desde o berço e acelerar o processo de consumo e simpatia por uma marca.

O que espero das autoridades?

Eu adoraria que algum órgão lograsse êxito na proibição do lançamento desse produto, mas tenho poucas esperanças. Então, eu gostaria muito que fossem feitos alertas para que os pais mais descolados e cervejeitos percebam a manobra e evitem que seus filhos tenham contato com este produto. Tudo tem seu tempo, e o tempo de tomar uma cerveja com o filhão numa tarde de verão é quando ele atingir a maioridade.

*Mariana Sá é publicitária e mestra em políticas públicas. É mãe de dois e escreve no blog viciados em colo. Co-fundadora do Movimento Infância Livre de Consumismo.

Fonte da imagem: http://professorgoodales.net/archives/8084


Tags:  bebidas alcóolicas proteção à infância sorvete de cerveja

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Mariana Sá




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0 Comment

Nov 30, 2012

Puxa, Mari, é verdade, depois que a gente vai acostumando a pensar fora da caixa as coisas parecem que saltam aos nossos olhos; e viramos chatas. Vou ficar de olho nesse sorvete aí, nada dele para os pequenos por aqui! Beijos! Nine


Nov 30, 2012

entao ta… agora fala das novelas.. o quanto elas incentivam a infidelidade, a putaria e a homosexualidade….. depois conversamos sobre a cerveja.


    Dec 01, 2012

    Andre, não entendemos a mistura de assuntos. Novela é uma coisa, cerveja é outra. Não que aprovemos as novelas, mas o assunto deste post diz respeito a artifícios a que a indústria de bebidas alcoólicas tem recorrido para fidelizar os consumidores cada vez mais cedo.


      Dec 05, 2012

      Poxa….eu acho que vocês estão pregando uma ditadura do Marketing! Como se não bastasse o sorvete ser vendido só em bares e nem alcóolico ser…. ele deve não existir???
      Tem propagandas piores atacando as crianças diretamente! Deixe os adultos se divertirem e tomarem o sorvete! E perca o tempo com as propagandas feitas para crianças diretamente!


    Dec 06, 2012

    Incentivando o homossexualismo? O homossexualismo não é incentivado. A pessoa simplesmente é. Desde pequeno é possivel identificar quem tem tendecias e se as pessoas só seguissem influencias o mundo todo seria hetero, já que é o que prevalece em todos os lugares. Acha mesmo que alguém optaria o caminho mais difcil? Que comentario infeliz.


    Dec 28, 2012

    André, a “infidelidade, putaria e homossexualidade” como você diz são posturas que são condenados pelo código moral estúpido que sustenta nossa sociedade, incentivar esse tipo de coisa te parece ruim porque você é preconceituoso. É diferente das estratégias das marcas de cerveja para fidelizar cada vez mais cedo seus consumidores, porque aqui estamos falando de “consumismo” que infelizmente não é uma postura condenada em nossa sociedade, o que deveria ser, pois diferentemente da livre expressão corporal e sexual, este faz mal SIM às nossas crianças e ao nosso Planeta, enchendo-o cada vez mais de lixo e contaminando nossos organismo. Reflita um pouco e acabe com o preconceito.


Jan 16, 2013

Visualizando sobre alguns sites na internet sobre a inovação da Skol em fazer sorvete de cerveja, achei esse site e vi a publicação, a qual discordo, com todo o respeito.

A princípio, pode até ter razão. No entanto, a empresa quer aumentar a produtividade, quer vender mais, crescer, desenvolver, ela tem que agir de forma que é mais conveniente para ela e pretende conseguir um dos principais objetivos, que é o lucro.

Como disse a empresa, nem álcool vai ter no sorvete. A empresa ainda vai proibir a venda a menores de 18 anos, ela está ciente de que por estar associada a uma empresa que comercializa bebida alcoólica, não deve vender para menores de idade.

A responsabilidade é dos pais, se eles não querem que o filho beba, deve cuidar disso durante toda a vida dele. Não é o sorvete de cerveja que vai influenciar se o garoto vai beber.

Como exemplo, cito o caso da televisão, que passa algumas cenas de sexo e violência em horário não muito tarde, são transmitidas p. ex. entre 21h às 22h, muitas pessoas criticam que não deveria haver esse tipo de cena neste horário. Entretanto, apesar da responsabilidade que as emissoras têm com o público (como também tem as empresas de bebidas alcoólica), a maior responsabilidade é dos pais em proibir o filho de assistir e, além disso, cuidar, explicar, dar atenção, oferecer outra atividade e, assim deve fazer se não quer que o filho beba, ou seja, fazer o que é possível para evitar isto. Percebo que atualmente os pais querem exonerar um pouco da responsabilidade que tem com os filhos e por consequência atribuir culpa a terceiros.

Como dizer que pretendem acostumar com o gosto se só poderão ingerir o produto após a maioridade? Nesta idade a pessoa já pode ingerir bebida alcoólica. Provavelmente a resposta que falarão é que as crianças e os adolescentes consumirão antes de completar 18 anos. Porém, é aí que está toda a responsabilidade dos pais e dos comércios, logo, a empresa estará cumprindo com o dever dela, de proibir. É óbvio que o Governo deve atuar, regulamentar, fiscalizar e apoio totalmente a atitude da empresa que reconhece que não deve ser ingerida a bebida alcoólica antes de completar 18 anos.


    Jan 16, 2013

    Aliás, que reconhece que não deve consumir o sorvete de cerveja antes de completar 18 anos.



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