campanhas / 12 de dezembro de 2012

Vamos salvar o Natal*

Texto de Tais Vinha*

A primeira coisa seria minimizar o Papai Noel da Coca-Cola. Esse velhinho obeso, gastador, que nos estimula a comprar, comprar e comprar e que está, desde o final de novembro, molhado de suor, em TODOS os shopping centers. Desculpe, bom velhinho, mas você ficou over. Não tem mais nada a ver com os tempos que vivemos. Acabou a magia.

O que vai salvar o Natal é voltarmos ao principal sentido da festa no mundo ocidental: celebrarmos o nascimento do Cristo. Não o Jesus religioso, que morreu pelos pecadores e que faria você parar de ler este texto bem aqui. Não é desse Jesus que falo. Temos que resgatar o Jesus revolucionário. O ecologista. O maluco beleza que, há 2000 anos, abalou as estruturas da Roma perdulária e cheia de vícios com suas idéias de vida simples. De amor ao próximo. De comunhão com a natureza.

Temos que resgatar o barbudo que disse que somos todos uma só família. Todos habitantes do mesmo planeta Terra. Eu, você que está me lendo, o feirante, o doutor, o agricultor, o catador de papel. E que as diferenças impostas pela sociedade são cruéis e fonte da maioria dos nossos problemas.

Temos que resgatar o homem que, ao ver que a comida não dava para todos, dividiu-a. E, ao invés de uns poucos comerem muito, todos comeram um pouco. O homem magro, de modos frugais, que se satisfazia com frutas, grãos, mel, peixe (talvez) e um vinhozinho de vez em quando porque ninguém é de ferro. E não com leitões, cabritos, tenders, chesters, lombos, picanhas – geralmente, todos juntos na mesma ceia.

Temos que reviver as idéias do sujeito que introduziu o conceito de vida simples no ocidente. E praticou-a todos os dias em que viveu. Aquele homem que vivia apenas com o necessário, pois acreditava que os únicos bens que devemos acumular são os valores que levamos dentro de nós. Que expulsou os mercadores do templo, pois uma coisa são valores da alma. Outra são os do dinheiro. E feliz é quem consegue diferenciá-los.

Renascer a alegria de um homem que vivia rodeado de amigos, que amava os animais, que viajava, que era carinhoso e benevolente com todos. Principalmente com aqueles que erravam (isso me dá um alento que nem te conto!).

Neste Natal, tenho pensado muito nisso. Pensado no aniversariante que, quando estudado livre das amarras e preconceitos da religião, revela-se um grande visionário. Um líder transformador, que parecia antever a encrenca em que 2000 anos depois nos enfiaríamos. Em tempos de simplicidade voluntária e consumo consciente, não vejo ninguém melhor para seguirmos.

Que este ano a gente consiga plantar a sementinha de um Natal verdadeiramente Cristão. Um Natal “menos” em tudo o que é material. E “mais” em alegria, risadas, comunhão com aqueles que amamos, divisão e confraternização. Um Natal com menos sobras. Nas lixeiras, na geladeira e nas parcelas do cartão de crédito. Essa é a minha sugestão. Um Feliz Natal para você e para todos nós!

Texto publicado originalmente no Ombudsmãe, republicado com autorização da autora

*Tais é mãe, escritora, ativista e palpiteira


Tags:  Jesus Natal ombudsmãe precisamos rever o Natal

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Mariana Sá




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Dec 12, 2012

Fantástico, Taís! Uma reflexão e tanto. Acho incrível como o comércio conseguiu destronar Cristo das duas maiores festas da Cristandade: o Natal e a Páscoa. Mas as crianças precisam saber que o verdadeiro personagem do Natal, não é um velho obeso; e animal da Páscoa não é um coelho, e sim, um cordeiro . “Agnus Dei, qui tollis peccata mundi”.


Dec 12, 2012

Verdade.
Penso que estamos vivemos tempos em que a opulência tornou-se necessidade. Nada parece ser bastante, sofremos por protelar uma alegria que, vivendo assim, jamais experimentamos e então vem a “carência criada”, essa inquietação de “querer sempre mais”; nesse ponto, jazem vazios nossos corações. Um vazio essencial, nas relações, na família, nos valores éticos.
Um vazio produzido pelo esquecimento vez que nos esquecemos como é ser feliz com o simples, com o “frugal” porque a moda, essa eterna sedutora, os distorceu aos nossos olhos, atribuiu-lhes sentido negativo e o simples, o “frugal” deixaram de ser sublimes para se tornarem sinônimo de fracasso, de derrota. Com isso, tentamos em desespero suprir a “necessidade criada” de sermos reconhecidos nos bens que acumulamos, nas farras gastronômicas a que nos lançamos, nos objetos desnecessários que possuímos.
Esquecemos também como reconhecer e sentir através da empatia. Já não ousamos sequer tentar vestir a pele do outro para experimentar seus incômodos, seus medos, suas necessidades. Distanciamo-nos do próximo. Centramos nossa atenção cada vez mais em nossos próprios umbigos nos esforçando para adorná-los com “piercings” de diamantes.
Com isso a essência do Natal dilui-se em espumantes caros e qualquer culpa inconveniente que nos reste, sufocamos com farofa e pernil. Com taças de cristal fino, brincamos sofismáticos ao espirito de Natal e embora o líquido que as preencha eventualmente traga o nome dessa ou daquela “viúva”, os órfãos somos todos nós.


Dec 12, 2012

Texto bacana. Concordo com a autora, apesar dela forçar um pouquinho a barra, caracterizando o Jesus histórico com atributos que ele claramente não possuia (e.g., ele jamais defendeu a bandeira ecológica e também não era vegetariano).


    Dec 12, 2012

    Pode não ter defendido a bandeira ecológica como conhecemos hoje, mas certamente era um defensor da natureza. E acredito que a autora tenha dito que Ele tinha hábitos frugais, não vegetarianos. 🙂 De qualquer forma, mesmo com a licença poética, gera uma boa reflexão, não é, Marcelo? 🙂


Dec 12, 2012

parecia um texto bom mas perdi a vontade de ler qdo escreveu que Jesus foi um ecologista vegetariano e maluco beleza….. maluco beleza foi o Raul seixas ótimo cantor e compositor, porém alcoólatra drogado que morreu com um objetivo bem diferente de Jesus Cristo que veio sim para nos salvar.
Se você estudar a Biblía vai descobrir que Jesus Cristo é MUITO mais do que isso que você pensa, e, oque ele fez foi muito mais do que abalar Roma afinal de contas estamos aqui falando dele né.
Estude a Biblía vc vai se surpreender!!!

Ótimo natal pra vc
e um ano novo com cheio do espirito santo em sua vida
Abraços


    Dec 12, 2012

    Gisele, ninguém aqui está fazendo pouco de Jesus. A intenção da autora foi só trazer um Jesus mais leve e mais humano pra essa reflexão, e para nos lembrar que o Natal não é dia do comércio, mas dia de comemorar o nascimento de um “cara” (e digo isso com profundo respeito) que mudou o mundo.


Dec 12, 2012

É uma tremenda falta de respeito se dirigir a Nosso Senhor Jesus Cristo dessa maneira. Ele é o Salvador sim, morreu na cruz para salvar a todos nós. É uma pena que a autora do texto prefira negar isso e defender um Jesus que só existe na imaginação das pessoas que não querem enxergar a realidade, não querem enxergar o que vem sendo defendido pelos cristãos há mais de dois mil anos. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”. É muita falta de respeito se dirigir a Deus dessa maneira e zombar da Fé assim.


    Dec 12, 2012

    Andrea, nosso respeito por Deus e Jesus é imenso. Sinto muito que você veja o texto como desrespeitoso. Não foi intenção zombar da fé de ninguém.


Dec 17, 2012

Cada um tentando defender seu ponto de vista sem levar em conta o que o outro quis dizer, etc. Fácil é so opor em vista de uma colocação e não ver que o óbvio foi de modificarmos esta festa em algo mais humano.


Dec 18, 2012

Texto maravilhoso. Natal é isso aí. Simplicidade, momento de reflexão, meditação, de estar com a família, não é comelança, hora de abraçar e ser fraterno com todos. JESUS nos dá o exemplo perdoando e amando a todos. Vamos seguí-lo.


Dec 19, 2012

Olá gente. Vamos lê o texto com o olhar da alma. Sentindo a sutileza trazida em cada linha. Lendo o não dito e percebendo que somos todos irmãos, e que o natal de amor, paz e fraternidade cabe a cada um de nós fazer acontecer – com JESUS sempre no coração, sendo visto a maneira e jeito de cada um pois, cada ser é único.

Feliz natal


Dec 19, 2012

Engraçado como mesmo num texto tão bem humorado, otimista e com uma ótima mensagem, ainda existem pessoas para ver pelo lago negativo. Não sou religioso, tenho minhas dúvidas até se Jesus existiu, porém, gostei bastante do texto, e acho que esse é o diálogo que se deve ter sobre o tema do natal, principalmente com os jovens.

Infelizmente alguns fanáticos já vem jogando pedras, sem tentar pelo menos usar um pouquinho da interpretação de texto que estudaram na escola, interpretação essa tão usada por eles pra “ensinar” aos outros os conceitos divinos. Continuem assim, vocês são a causa das religiões perderem cada vez mais cordeirinhos.

Quanto a autora, meus parabéns pelo texto, muito honesto e inspirador.


Oct 08, 2013

Eu penso que o correto seria não celebrarmos o natal, até porque Jesus não nasceu nessa data, e como podemos celebrar o nascimento de Jesus, se não fazemos NADA por Ele nesse dia? Desde quando comer porco, peru, frango e comidas “natalinas” nos leva para perto de Jesus ou Deus? Desde quando presentear nossa familia nos leva para mas perto de Jesus ou ao menos mas perto do que Ele pregava para TODOS naquela época? Precisamos rever o que é realmente importante na nossa vida,e pelo menos na minha, alimentar mentiras religiosas não é uma delas.



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