legislação / milc / 7 de junho de 2013

Uma colcha feita por muitas mães

Henry Mosler

Henry Mosler

Nós, do Movimento Infância Livre de Consumismo, estamos há um ano cortando e costurando coletivamente uma grande colcha de informações e reflexões sobre infância e sobre as relações entre o mídia e o mercado e as crianças, com seus responsáveis – mães e pais.

Sabemos que esta colcha servirá de proteção para muitas famílias, que será sob seu calor que crianças, adolescentes e adultos poderão fazer leituras da sociedade, da mídia e do mercado, e se proteger de abusos. É com as informações tecidas nesta grande colcha que poderemos escolher e tomar decisões cada vez melhores em relação à nossa mater-paternidade.

Queremos falar com você, mãe;  queremos te explicar porque entre os tecidos que escolhemos estão denúncias contra empresas, marcas e produtos tradicionais. Queremos explicar que quando mostramos uma alternativa, não estamos contra você. Estamos com você!

A briga do Movimento Infância Livre não é com você, mãe, que fornece comida industrializada para seu filho ou que não amamentou exclusivamente até os seis meses (seja por qual motivo for) ou que tem uma babá para cuidar do filho enquanto trabalha, ou que deixa os filhos assistirem muita tevê, ou com qualquer outra mãe, pai ou família.

A nossa briga é com o mercado que não nos avisa que alguns alimentos industrializados, em uma única porção, contêm 75% do sódio que nossos filhos podem ingerir em todo o dia, e que isso pode causar inúmeras doenças em nossas famílias.

A nossa briga é com o “comunicador” que mantém no ar um programa infantil que, a cada cinco minutos, para tudo o que está fazendo – brincadeiras, desenhos – para vender mais um produto licenciado a nossos filhos.

A nossa briga é contra emissoras que inserem frames inconvenientes, conhecidos como propaganda subliminar, no meio da novela, sem aviso prévio.

A nossa briga é com os anunciantes que colocam desenho animado e música infantil em propaganda de produtos para adultos, provocando e reforçando a criança como tomadora de decisões de compra de toda a família.

A nossa briga é com o fabricante que coloca um brinquedinho em seu lanchinho pouco saudável, deixando para nós, mães, a tarefa inglória de explicar e barganhar com a criança que quer aquilo de qualquer jeito, pois “todo mundo tem”.

A nossa briga é com o pediatra que, ao invés de nos ensinar a estimular a produção de leite, recomenda – influenciado por propagandistas – uma fórmula industrializada logo de início, e não avisa que o nosso próprio leite, além de gratuito, fornece uma proteção a nossos filhos que nenhum outro leite fornecerá.

A nossa briga é com a imprensa que, ao invés de apresentar mais soluções para a falta de tempo na hora de ir para a cozinha, indica a papinha industrializada como única saída para o dilema.

Nossa briga não é com você, mãe. Não queremos culpá-la. Mas também não estamos aqui para aliviar. Queremos que você sente conosco, escolha os tecidos, as agulhas, e costure junto com todas nós esta colchão de reflexões, debates, soluções, atitudes, abordagens.

Afinal, para criar nossos filhos em um mundo onde seja mais importante o “ser” do que o “ter” é preciso que cada uma de nós se mobilize. Ao invés de nos acomodarmos em nossa pretensa impotência diante da força de grandes corporações ou conglomerados de comunicação, se cada um de nós der sua pequena contribuição, podemos, sim, mudar hábitos e pensamentos que pareciam imutáveis e costurar esta colcha de aconchego e proteção.

 

Movimento Infância Livre de Consumismo


Tags:  #publicidadeinfantilNÃO MILC publicidade de alimentos publicidade infantil regulamentação

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Mariana Sá




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