criança e mídia / legislação / 23 de julho de 2014

Nada de novo no discurso da mais nova representante do mercado

Texto especial para o Milc de Mariana Sá *

Li com curiosidade a entrevista de Mônica de Sousa publicada pelo Jornal O Globo no domingo, 20/7. Monica é a filha de Mauricio de Sousa que quando menina o inspirou na criação da personagem título dos quadrinhos mais queridos do Brasil. A personagem extrapolou as margens das revistinhas e chegou a desenhos animados, teatro, parques de diversão e embalagens mais diversas, inclusive de produtos alimentícios. É a mais nova voz defendendo o status quo e os interesses de um rico mercado dentro do debate sobre a regulação da publicidade infantil – uma boa estratégia: Mônica chega com a força do afeto que nutrimos desde criança pela personagem de mesmo nome. 

Alvo de uma simpatia natural que nutrimos pela Turma da Mônica durante toda a infância, é difícil questionar a força que traz em sua voz e mais difícil ainda admitir que a pessoa que inspirou a personagem defenda tais pontos de vista com argumentos que considero desgastados e superados.

O fim dos personagens

Em sua entrevista, Mônica afirma que a resolução 163 do Conanda quer sumir com os personagens e esta é uma das maiores falácias que já ouvi sobre a medida. Afinal, os personagens continuarão a existir dentro das produções artísticas, onde é o lugar deles! Ninguém defende que MS Produções deixe de vender revistinhas e DVDs ou circular com suas peças de teatro pelo Brasil. Os personagens vão continuar divertindo as crianças e passando os valores (seja lá quais sejam) que Mônica defende na entrevista.

Trabalho em comum e denominador comum

Sou capaz de apostar que todos que trabalham com direitos da infância têm real  interesse na aproximação do maior defensor do status quo para um debate sincero (eu tenho!). Porém, durante estes dois anos em que acompanho o debate acerca da publicidade infantil, ainda não vi seu pai ou ela mesma sentados numa mesa de debate democrática, de coração aberto, ouvindo os argumentos dos pais e das instituições que demandam mais regulação.

Infelizmente, o que foi noticiado sobre a participação deles no debate foram os encontros do empresário com políticos, a tentativa de polarização do debate, um até certo terrorismo em relação aos planos do conglomerado e uma ameaça explicita a uma mãe que criticou suas condutas empresariais, sempre embasado em seu direito, é claro, mas ver agora esta súbita abertura ao debate é de difícil digestão.

Uma sociedade com problema emocional

Mônica sabe que a sociedade está consumindo mais – isso é bom para quem vende – e sabe que a doença do século é a obesidade. O que ela parece não saber ou se esforça para parecer ignorar é que os queridos personagens emprestam sua força e sua voz a produtos que figuram nas listas dos piores produtos alimentícios do mundo: empanados de frango e macarrão instantâneo para ficar com dois exemplos. Como a educação de casa terá força diante da simpatia de Mônica, Cebolinha e Cascão apelando para hábitos não saudáveis de alimentação?

Crianças alienadas

Alega-se que proibir que os personagens estampem produtos que fazem mal à saúde significa alienar a criança. Eu acho o contrário: é extremamente alienante uma criança achar que foi o Cebolinha quem fez uma massa instantânea ou que a Mônica plantou macieiras. Ora, a publicidade dirigida à criança e o licenciamento descontrolado de produtos péssimos não são parte da solução: são parte do problema.

Fim de todos os problemas 

É simplista imaginar que pais e entidades que buscam a proteção e garantia integrais dos direitos acreditam que apenas a regulação correta da publicidade seja a solução de todos os problemas. Todos os que lutam pelo fim da publicidade infantil sabem que o respeito e a efetivação da regulação não extinguirá o consumismo, mas é o primeiro passo. Se uma sociedade quer ver seu tecido social  restaurado, precisa priorizar a infância, precisa começar cuidando bem das crianças que estão chegando e promovendo qualidade de vida dentro das famílias (em suas formas mais diversas, que fique claro! e não apenas as quem tenham pai e mãe como a entrevistada valoriza), que é o núcleo fundamental da comunidade.

A publicidade como inocente

A entrevistada  gasta muita energia tentando salvar a publicidade dirigida à criança, mas deixa muitas brechas na sua argumentação. Deixa clara a ajuda que o marketing dá no aprofundamento dos nossos problemas sociais (e emocionais). O conglomerado não licencia refrigerante e bala, mas licencia macarrão instantâneo…  O que dizer?

E ao admitir que o licenciamento empresta a força do personagem para ajudar a mãe a fazer a criança comer (frutas), admite também que a existência de um personagem numa embalagem incentiva a ingestão daqueles alimentos. É estranho, hein?  Em uma resposta ela diz que os personagens ajudam a comer fruta e em outra não soma o marketing a sua lista de fatores que levam a obesidade.

Ora! Seus personagens estampam péssimos produtos alimentícios! É isso que pais e entidades não acham nada razoável!

É lamentável ler as respostas sobre ética e sobre os critérios de escolha dos produtos a serem licenciados: como é triste ver a representante dos anunciantes do coração dos nossos filhos dizer que “Ele (Mauricio de Sousa) não está fazendo com que (a criança) consuma, mas com que escolha aquele produto entre outros (que não trazem o personagem da embalagem).” Qual a diferença mesmo?

Já que o critério é “só licencio o que ofereço aos meus filhos”, pensamos que talvez a equipe que seleciona os produtos que levarão a assinatura e a força dos personagens devesse estudar e se aprofundar um pouco mais sobre nutrição para fazer melhores escolhas sobre o que dão para os filhos comerem.

Informação como estratégia contra a obesidade

Se a informação de boa qualidade começa a fazer a efeito na redução da obesidade nas classes A e B, pergunto: existem iniciativas do conglomerado para contribuir com a difusão de boas informações? Existe informação de boa qualidade sobre nutrição nas revistinhas? Existe informação de boa qualidade sobre nutrição nas embalagens dos produtos que licenciam? O conglomerado exige dos licenciados que estampem alertas nos alimentos sobre os riscos à saúde? Exige que avisem que são ricos em sódio, açúcar e gordura?

Crianças manipuladoras e adultos infantilizados

No final da entrevista, a simpática musa inspiradora da líder dos quadrinhos mais famosos do Brasil mostra desconhecimento sobre quem realmente são as crianças, descrevendo-os como seres manipuladores com total domínio das suas vontades. Ignorando – ou fingindo que ignora – a maneira como estas vontades surgem na psiquê das crianças. E coloca mais uma vez a culpa nos pais, mesmo admitindo que o bombardeio mercadológico contribua para o problema.

Leia a entrevista aqui. Imagem da web.

(*) Mariana é mãe de dois, publicitária e mestre em políticas públicas. É autora do blog materno viciados em colo e é cofundadora do Milc. Mariana faz regulação de publicidade em casa desde que a mais velha nasceu e acredita que um país sério deve priorizar a infância, o que – entre outras coisas – significa disciplinar o mercado em relação aos direitos das crianças. viciadosemcolo.com


Tags:  infância proteção à infância regulamentação resolução 163

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Mariana Sá




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19 Comments

Jul 23, 2014

A maçã da Turma da Mônica é o único produto saudável com personagens infantis. Agora, por causa de um produto, devemos aceitar que centenas de outros, cheios de sódio e açúcar, sejam empurrados para nossos filhos?
Eu acho ótimo que a imagem da Magali esteja associada a uma melancia, acho que essa é uma boa forma de incentivar as crianças a terem uma alimentação saudável. Mas meu filho vai querer comer melancia, não a melancia da marca X, que só pode ser comprada num mercado e ao passar no caixa meu filho vai querer o chocolate, o chicletes, a bala. Posso comprar a melancia num lugar que só vende frutas e verduras, deixar meu filho sentir aromas diferentes e sair com uma sacola colorida de produtos saudáveis que ele escolheu.
Meu filho (2 anos) tem alguns livros que os personagens em algum momento fazem um lanche. Ele observa tudo que tem na mesa! Para minha alegria são frutas, bolos que a mãe do personagem fez, pães, suco natural, leite… É esse o exemplo que quero que meu filho tenha, é dessa forma que quero os personagem na vida dele. Não quero precisar ir ao mercado comprar uma embalagem, já que o produto eu posso fazer em casa, fresco e mais saudável.


    Jul 25, 2014

    Debora, existem formas mais simples de resolver o seu problema! Aprenda a dizer NÃO ao seu filho. Seja uma mãe, de verdade, eduque, dê carinho, construa uma personalidade de opiniões formadas para o seu filho. Não compre o carinho e afeto dele com consumo.
    Não é a publicidade que vai fazer dele um consumista desenfreado, é o entendimento de consumo que ele tiver, o entendimento dos limites, o valor do trabalho, o real valor do dinheiro, a noção de necessidade.
    Se você não pode passar isso para o seu filho, não espere que o Estado o faça.
    O que você defende, é um “cabresto” social, e se você acha que essa é a solução, coloque, você mesma, esse cabresto no seu filho, mas não o faça com os filhos dos outros!
    Te falta saúde? Você cresceu numa sociedade recheada de publicidade, inclusive infantil, a sua educação foi ferrenhamente influenciada por isso?
    Me poupe desse totalitarismo ditatorial.


Jul 23, 2014

Não consigo me conformar que as pessoas não vejam o mal que isso faz as crianças! E os argumentos já estão tão batidos que a pessoa nem precisa terminar de falar, você pode continuar falando por ela.
Eu, que sempre fui tão fã da Turma da Mônica e aprendi a ler sozinha por causa dos gibis que tínhamos em casa, me pergunto se vale a pena continuar comprando e apoiando essas pessoas que estão tão preocupadas com o dinheiro no bolso, que esqueceram do futuro de nossas crianças.
Às vezes realmente me sinto com vontade de boicotar a Turma da Mônica. Acho que é disso que eles precisam…


    Jul 25, 2014

    Cara Lara, termine o meu argumento, então?
    Aprendeu a ler sozinha, mas não aprendeu a entender. Aprendeu a ler sozinha, mas não aprendeu a dissociar o joio do trigo!
    Se tivesse aprendido a entender, a separar as coisas, teria aprendido algumas coisas com os valores que são, inclusive, passados nas histórias da Turma da Mônica. Não taparia o sol com a peneira, e veria que é um problema muito maior que a educação que você NÃO DÁ para os seus filhos.
    O que pra você trata de uma preocupação com dinheiro no bolso, por parte da indústria, é muito mais abrangente do que imagina.
    De uma forma simplista, TODO o conteúdo que os seus filhos têm acesso, revistas em quadrinhos, desenhos animados, filmes infantis, filmes didáticos, livros infantis, livros escolares, animações, são financiados pela publicidade. Os profissionais que vivem dessa publicidade, na maioria das vezes, são os que geram conteúdo e trabalham com a produção de TODO o conteúdo que são acessados pelas crianças.
    Implica em desempregar, podar, abolir, destruir um nicho empregatício de todos esses profissionais, fazer com que se formem menos ou nenhum profissional capacitado, visto q não existirá mercado de trabalho, e deixar suas crianças, que não têm noção de consumo, à mercê da publicidade adulta. Seu filho não vai querer o macarrão instantâneo da Turma da Mônica, mas vai querer um carro, uma casa, os SEUS bens de consumo! Vai ser uma criança alienada, SIM, pq o que vocês acreditam e apóiam, nada mais é do que um escudo da realidade.
    Eduque os seus filhos, ensine o valor do trabalho, ensine o valor do que é, de fato necessário. Eduque em casa, o seu filho DEVE ser muito mais sucetível ao que você fala, do que às influências externas. Se você fizer a SUA parte, assumir a SUA RESPONSABILIDADE, não vai precisar de interferência do Estado.
    O maior problema nessa história toda, é que as cabecinhas miúdas, como a sua, enxergam, com muito egoísmo, o próprio umbigo.
    E, é nítido, que você é mais uma dessas pessoas que não têm o carinho e o afeto dos filhos, por falta de presença, falta de dedicação, acaba virando dependente, em demasia, do consumo, para conseguir a atenção das crianças.
    Espero, de coração, que você seja muito feliz com a criação dos seus filhos, mas não interfira na criação dos filhos dos outros.
    Passe bem!


Jul 23, 2014

apenas vejam esse vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=bXSUkFTvJ7s


    Jul 28, 2014

    Pânico desnecessário: ninguém sabe como o judiciário vai se posicionar frente às denúncias. Acho que trabalhadores da publicidade e da ilustração precisam conversar com as pessoas e entidades que demandaram esta política para formarem consensos.


Jul 24, 2014

eu vi o blog de voces.
campanhas muito interessantes e necessarias.
a respeito da erotizacao precoce. acho super correto, valido e apoio totalmente.
entretanto esse tiro na publicidade infantil foi muito infeliz.
eu entendo o argumento da obesidade infantil, mas sera que essas criancas vao comer menos se o patati patata nao estiverem estampados nos biscoitos ? cereais, leite, sucos, iogurtes… uma infinidade de produtos que ja despunham de ilustracoes infantil ha decadas, seriam realmente OS PERSONAGENS INFANTIS o causador de patologias comtemporaneas na infancia ? hora de consultar o psiquiatra..

qual sera o proximo passo do movimento ? pedir a suspensao das estampas de camisas com personagens ?
afinal, elas tambem se utilizam de personagens para alavancar a venda de vestuario.

que tal um movimento ensinando os pais a educar e dizer “NAO! voce nao pode ter isso agora..”
mas da muito trabalho ne ? mais facil escondermos tudo em nossa colcha de retalhos. E quando se tornarem adolescentes ? e jovens adultos ? como voces do movimento vao fazer para esconder o mundo deles ? ja pensaram nisso ?

🙂


    Jul 28, 2014

    As evidências científicas correlacionam o consumo deste tipo de produto à força do personagem.
    Reflita comigo: se não funcionasse, você realmente acha que produtores pagariam fortunas para poder estampar personagens nas embalagens?
    Já existem outras iniciativas ensinando aos pais a educar seus filhos, propósito desta página é disseminar informação sobre as condutas empresariais e demandar políticas que protejam nossas crianças.
    Não precisamos esconder o mundo deles, tudo tem seu tempo e o que os anunciantes têm feito mundialmente é encurtar as infâncias para terem novos consumidores cada vez mais cedo. Em prejuízo da formação adequada dos sujeitos. É correto deixar anunciantes livres para se comunicarem diretamente com as crianças, ou eles precisam passar pelo filtro dos pais? Pense nisso…


Jul 24, 2014

Fica claro no texto a total ignorância no sentido de como se sustentam os artistas, de como o mecanismo todo funciona e se mantém.

O Maurício não vive de “vender revistinha”, isto não paga nem a tinta da gráfica.

O que mantém as revistas, seus funcionários, sua estrutura física e que gera algum lucro, são os anunciantes.

Não apenas nos gibis, mas no mercado editorial como um todo.

Ou você pensa que revista ganha dinheiro com venda em banca?

Fazer peças de teatro também não mantém nem o figurinista vivo, o valor dos ingressos mal paga a equipe de cena, o que sustenta um espetáculo são, novamente, os anunciantes.

Antes de escrever um post tão desconectado da realidade, demonstrando a mais absoluta ignorância sobre o tema, seria mais sensato estudar um pouco como são as coisas, e evitar o fiasco de publicar tamanha besteira, questionando pessoas que vivem disto na carne, diariamente, lutando pela sobrevivência.

Ninguém fica milionário com arte, você sabia?

Diferentemente dos políticos, nosso sustento se paga com valores modestos, e tirar a publicidade dos produtos inviabiliza totalmente qualquer um deles.

Não se iluda, os personagens não vão continuar “divertindo as crianças” como está no texto, porque ninguém trabalha por filantropia ou voluntariamente.

Todos temos contas a pagar, uma barriga que ronca e filhos para criar.

Ninguém vive apenas de “amor à arte”.

Ou seria a Mariana Sá tão dedicada ao seu ofício que poderia trabalhar indefinidamente, sem o seu salário?


    Jul 28, 2014

    Montalvo,
    quero te convidar a pensar sobre a qualidade das produções infantis correlacionando ao patrocínio. O que vejo, como mãe e como publicitária, são produções de qualidade veiculadas em canais que não têm propaganda OU que já são pagos por quem assiste.
    Estou falando das tevês educativas que sustentam uma programação infantil muito superior a das concorrentes sem precisar contar com comunicação mercadológica. Muitas têm apoio cultural que é uma modalidade que – no meu entendimento – prejudica menos a criança do que o sofisticado discurso publicitário. Uma marca aparece ligada a uma experiência agradável, sem mexer tanto na psique da criança.
    Estou falando também dos canais infantis para onde migrou a programação infantil. Eu penso que é abusivo pagar por um conteúdo ser obrigado a ver anúncios de produtos nos intervalos. Eu acho. Sei que para manter as margens de lucro, a mensalidade teria que ser maior, mas vejo acho que existe espaço para conversar.
    Acho que seria bem bacana conhecermos mais como funciona o mercado para os trabalhadores em publicidade, ilustração, audiovisual e games, pois como mãe, ativista e publicitária, não tenho o menor interesse que desapareçam.
    Acho que podemos juntos pensar em alternativas que não prejudiquem os trabalhadores, o mercado, as exibidoras, as produtoras, mas tendo em mente a necessidade das crianças, que as mudanças que venham nos ajude a todos: pais, crianças e artistas. Especialmente as crianças que afinal são os sujeitos mais vulneráveis desta história.
    Minha experiência como comunicadora social e testemunha do trabalho do conselho de comunicação da Bahia, me diz que é possível e desejável a formação de consensos: todos ganham!
    A resolução 163 está aí, vigente, explicando o que o CDC já coloca como abusivo – se aproveitar da falta de experiência da criança. Esta resolução é resultado de muito trabalho em prol da infância e conta com apoio das entidades que lutam pela garantia dos direitos das crianças e de muitos pais.
    Seria muito importante contar também com o apoio dos trabalhadores da comunicação e dos artistas que têm nas crianças o seu público prioritário. Porque quem trabalha PARA e PELA criança já deve ter vivido dilemas morais com as exigências dos anunciantes, muitas vezes tendo que engolir a seco seus valores em nome de poder pagar as contas do mês e estarmos juntos nisso só pode significar uma melhoria do mercado.
    Como editora deste blog, como participante desta rede em prol da infância e como profissional de comunicação, me coloco à disposição dos ilustradores para acharmos juntos estes consensos que possibilitem a sobrevivência dos artistas e das iniciativas que colocam a criança como prioridade das suas artes.
    Um abraço.


Jul 24, 2014

É muito mais fácil culpar a publicidade e até mesmo o Maurício de Souza, do que admitir e mudar os péssimos hábitos alimentares de uma família obesa, com filhos obesos.


    Jul 28, 2014

    Montalvo,
    as evidências científicas falam em diversos fatores, inclusive hereditários, porém entre estes muitos fatores está a publicidade de alimentos e a recusa das indústrias a informarem os riscos de cada alimento.
    Existe muita desinformação e adquiri-la é um transtorno: até pouco tempo atrás eu achava que petit suisse era um tipo de iogurte com fruta, hoje sei que é apenas gordura e açúcar. Sim, sou publicitária, e mesmo conhecendo as técnicas me deixei enganar e achava que era uma coisa adequada para um café da manhã, quando na verdade é uma guloseima. Olhe que sou uma pessoa escolarizada e com acesso à informação. Imagine aquela mãe ou aquele pai que não tem tempo ou outros recursos para se aprofundar em estudos de nutrição… Daí quando tem um personagem estampado, há gente que pense: “o artista que adora as crianças não ia colocar seu personagem numa comida ruim e se associar a algo que fizesse mal às crianças”. Entende?


Jul 24, 2014

Pagar de gênio das ações sociais e resolver o problema do crack ninguém quer, né? Estes intelectualóides de merda preferem quebrar a economia atacando a propaganda, onde todo mundo TRABALHA DE VERDADE, racha noite, madrugada, FDS, feriado, para entregar um produto de qualidade, se acabando num escritório, longe da família, comendo pizza no teclado, pra ouvir este tipo de coisa.

Que a culpa da obesidade infantil e da falta de princípios em família é deles.

Só mesmo um bando de almofadinhas escrotos mal informados pode pensar assim.

Eles não entendem que é exatamente a propaganda que sustenta o pouco de entretenimento e cultura que temos?

Sem propaganda tudo vem abaixo, e nem mesmo a mediocridade do Zorra Total se sustenta sem ela.

É a publicidade que paga cada projeto, cada show, cada página impressa.

E eles querem quebrar a coluna deste organismo.

Vai lá, desgraçado, dá o tiro de misericórdia logo, de uma vez.

Depois segura uma geração de jovens sem infância, sem imaginação, sem fantasia, sem entretenimento.

Onde será que estas crianças vão buscar alguma diversão?

Na rua.
Com quem?
Adivinha.


    Jul 28, 2014

    Meu propósito não é acabar com o crack, existem outras pessoas entidades e páginas focadas neste assunto (conheço várias delas e sei que fazem um trabalho desafiante, difícil e complexo). Porém, preciso lembrá-lo que o propósito desta página é reunir pessoas que se interessam no debate sobre infância e mídia e pressionar empresas e políticos por ações que protejam as crianças. Consideramos que uma regulação séria é fundamental para darmos passos na direção da garantia dos direitos das crianças.

    Acho legítimo que você, Montalvo, como trabalhador da comunicação esteja apreensivo com o por vir, com a mudança de prisma: se até anteontem a prioridade era a cadeia produtiva, hoje a prioridade é a infância. Assim como a cadeia da produção de tabaco se adaptou, tenho convicção que a cadeia produtiva da produção audiovisual para criança vai se adaptar.

    Não sou “intelectualóides de merda”, entendo sua ira, mas considero ofensivo você se referir desta maneira a pessoas que também trabalham muito, talvez tanto ou mais do que os profissionais de comunicação, para estudar vias alternativas que viabilizem a saúde mental e física das crianças hoje para viabilizar uma sociedade mais bacana amanhã. Depois que coloco meus filhos pra dormir, cumpro o meu terceiro turno como estudiosa da infância e coloco meus conhecimentos sobre publicidade a serviços de entidades que me ajudaram a criar melhor meus filhos – agora mesmo estou usando meu horário de almoço para me dedicar a te responder com cuidado, porque considero legítimo o seu temor. Toda mudança causa medo…

    Você acha mesmo que este modelo de trabalho e exploração do trabalhador que “racha noite, madrugada, FDS, feriado, para entregar um produto de qualidade, se acabando num escritório, longe da família, comendo pizza no teclado, pra ouvir este tipo de coisa” é digno de defesa? Será que não está na hora dos empresários da publicidade e dos anunciantes reverem as suas formas de extrair a criatividade dos artistas?

    Mais uma vez me coloco à disposição para uma conversa sincera e civilizada.


Jul 25, 2014

Senhorita Mariana =)
Vi no texto todo que você alega que os personagens estão estampados apenas em produtos péssimos (cheios de aditivos e etc).
e eu concordo com você que a maioria está,e a raiva maior na publicidade direcionada a crianças começou por isto.
inclusive já foi comprovado sim que um tal produto vende mais por causa do personagem estampado nele (você é muito inteligente e deve saber disso).
então ao invés dessa proibição absurda e idiota (perdão pela palavra mas é),poderia ser feito um acordo 😉

Ao invés de ser proibido estampar personagens EM QUALQUER COISA (por que o lugar deles não é só no gibi e nem na tv como você mesmo disse ) poderia fazer o seguinte:
Só poderia ser estampado um personagem em um produto se realmente ele for natural e saudável (isso serviria até de referencia pros pais).
e só poderia ser permitido veiculação de anuncio de brinquedos somente se o “personagem” incentivasse a criança no anuncio a doar algum dos seus outros brinquedos caso ela compre um novo. ou então que a criança participe de uma feira de trocas (que é muito saudável e divertido) 🙂 isso seria bem justo você não acha?
ajudaria até na educação dos próprios fabricantes esse tipo de acordo,seria bom para ambos.

então para que demonizar a publicidade infantil se de uma vez por todas há várias maneiras de usa-la a favor delas e dos pais?

abraços

Wender Gonçalves


    Jul 28, 2014

    Acho que um acordo é possível, sim, Wender.
    Mas será que os anunciantes estão dispostos a fazer alguma concessão?
    Porque não foi isso que vi nos últimos anos: os anunciantes e empresários da publicidade não abrem mão da autorregulamentação que não vem funcionando a contento. Eles até fazem boas regras, porém além de insuficientes, não são respeitadas pelos anunciantes. Assim, fica expressamente necessário que o judiciário tenha mais elementos para julgar abusividades (na verdade todo aparato legal já existia, ele foi apenas detalhado).
    Esta publicidade de utilidade pública que você fala É PERMITIDA PELA RESOLUÇÃO 163 DO CONANDA. As vedações atingem as comunicação mercadológicas endereçadas à criança, aquelas que querem vender direto para a criança, sem passar pelos pais.
    Espero mesmo que o mercado tenha maturidade para ir ao debate para combinar como tudo vai funcionar com mínimos prejuízos para os trabalhadores e máximo benefício das crianças.


Jul 25, 2014

‘Taís Vinha, representante do ILC na audiência pública feita pelos deputados, diz que “da hora que acordam até o momento de dormir, as crianças são bombardeadas pela publicidade do consumo”. Implícita nesta frase está a admissão, não tão abonadora, de que há pais largando seus filhos na frente de TV “da hora que acordam até o momento de dormir”. Se os pais se omitem, não é proibir a propaganda e alterar a programação da TV que resolverá o problema.’

Precisa dizer mais alguma coisa?


    Jul 28, 2014

    Não tem publicidade apenas na tevê. Também não preciso dizer mais nada.


Jul 27, 2014

Interessante que suas acusações comparam o “conglomerado” Maurício de Souza com uma espécie de companhia de mercenários que só estão interessados em lucro e no final vemos que o texto é escrito por uma publicitária. Isso me fez pensar: Quem tem a ganhar com o fim da publicidade infantil? A legislação tal como recém-aprovada cria a necessidade (1o passo da publicidade) de uma nova publicidade a qual o mercado não está acostumado e quem pode oferecer este produto (2o passo da publicidade)? Quem melhor para preencher este vazio que a lei criou que publicitários “engajados com a proteção das crianças”?
Então, perdoe-me se não “compro” (ops) seu discurso pseudo-moralista quando me dou conta de que você será uma das maiores beneficiadas financeiramente com as mudanças que você mesmo está impondo.



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