maternidade / publicidade infantil / 21 de outubro de 2014

Manual da Publicidade Infantil Para Pais e Mães

Texto especial para o blog do Milc de Vanessa Anacleto 

Olá, seja bem-vindo ao nosso Pequeno Manual Anti Publicidade Infantil feito especialmente para pais e mães. Nosso manual é breve e se baseia na seguinte premissa:

Não acreditamos em manuais. Nem  fórmulas, dicas, cartilhas ou qualquer coisa pronta e fácil que possa mudar a vida ou o comportamento de alguém . Somos pais e mães como você que está lendo este Manual, que de manual só tem o nome. Na verdade, chamar de Manual foi um recurso que utilizamos para trazer você até aqui para que lesse a este post. Não fique bravo conosco, a publicidade infantil faz a mesma coisa quando diz que um boneco voa quando na verdade são apenas *imagens meramente ilustrativas; que o suco fake veio direto do pomar quando mal tem 10% de fruta, que produto achocolatado com ingrediente principal açúcar vai deixar as crianças inteligentes. Por isso ao invés de manual você pode chamar este documento de Carta aos pais e mães. Ou pode chamar de pudim de leite, o nome não define a coisa. Passemos ao manual, digo, ao pudim propriamente dito, com umas dicas que não são dicas, mas  pontos importantes que gostaríamos que você soubesse:

Se seu filho está pedindo muitas coisas que viu na propaganda da tv, fique sabendo que A CULPA NÃO É SUA . Segundo o Censo 2010 do IBGE, 155 milhões de televisores no Brasil. E um desses 155 milhões de aparelhos, caro pai e mãe, é o seu. Seu filho assite tv em parte do tempo livre, como todas as outras crianças. Para assistir a qualquer desenho em uma televisão que não seja pública ele precisa assistir também a muito tempo de propaganda feita para crianças Normalmente os produtos anunciados trazem os mesmos personagens dos desenhos da programação. A criança gosta do personagem e quando vê o produto licenciado, reconhece com carinho e  diz que deseja o produto. Na verdade ele está desejando o personagem e é preciso muita criatividade para sair da cilada aprontada pela publicidade infantil dos licenciados. Ser pai e mãe hoje em dia não é mole.

Se seu filho pede o produto sem parar e você se incomoda fique sabendo que a nova onda dos anunciantes é dizer que se as crianças querem demais, a culpa é dos pais que dão desmedidamente. Mas o discurso deles não bate.  Se os pais se incomodam com o excesso de pedidos das crianças é porque não cedem facilmente a eles e a partir daí surge o conflito. Os pais que se incomodam são os que conversam com os filhos sobre a diferença entre o ter e o ser, os que explicam que a propaganda modifica a realidade para vender, que os valores ligados a status e necessidade de despertar inveja em outras crianças passada propagados pelos comerciais não está de acordo com os valores da família.

 Se seu filho pede o produto sem parar fique sabendo que é possível minimizar o prejuízo. Estamos caminhando a passos cada vez mais largos para a regulamentação da publicidade infantil. A Resolução n. 163 do Conanda , publicada em março deste ano já deixou claros os limites que , se ultrapassados, fazem  uma campanha abusiva. Existem projetos de lei tramitando no Congresso Nacional que visam regular publicidade de brinquedos, alimentos e medicamentos para crianças. Toda esta movimentação nasce da real necessidade de evitar que crianças pequenas precisem ver uma propaganda que apresente um produto não saudável como excelente para o consumo para crianças ou ainda apresente um brinquedo como sendo capaz de fazer com a criança seja aceita num determinado grupo de amigos .

Se seu filho pede o produto sem parar é porque ele assistiu a um desenho animado durante, no mínimo,  30 minutos. É o suficiente para um comercial passar repetidamente, muitas vezes num mesmo intervalo. A culpa não é sua. Acredite. Você é capaz de educar seu filho. Quem disser algo contrário e aparecer com algum manual prático educativo estará na verdade querendo vender algum produto infantil levando de brinde a alegação da sua culpa.

(*) Vanessa Anacleto é escritora, blogueira no Mãe é tudo igual e autora do livro Culpa de Mãe


Tags:  #publicidadeinfantil carta às mães publicidade infantil

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Mariana Sá




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