outros / 28 de maio de 2012

Publicidade infantil, proibir ou não? (Parte III-final)

O que podemos concluir de tudo isso?

Consumir menos e com mais qualidade é ecológico.

A infância é uma responsabilidade global: família, sociedade e Estado.

E o que perdemos se proibirmos a propaganda infantil?

O que perdemos com a proibição da propaganda de cigarros? NADA! Só ganhamos. Era um absurdo aquele monte de propagandas com associação de cigarro à esportes. Cigarro e vida saudável, definitivamente uma grande MENTIRA.

O que vamos perder com a proibição de propagandas de bebidas alcoólicas? Nada.

Neste mesmo caminho vai a publicidade infantil?

A propaganda existe porque há consumismo e o consumismo é alimentado pela propaganda, logo temos uma bola de neve. Se o consumismo de adultos merece toda a atenção – afinal se continuarmos produzindo o lixo que produzimos hoje na mesma proporção por mais alguns anos já sabemos onde (não) chegaremos – o consumismo na infância é uma preocupação ainda maior e merece ainda mais atenção.

A questão não é proibir, mas proteger a infância. Criança vive nesse mundo e precisa conhecer a realidade, mas existem várias outras formas mais saudáveis e nutridoras pra que a criança vá chegando. Até os sete anos ela é muito imatura. Ela precisa ser protegida pra que, quando chegar a hora de encarar a realidade e o mundo, ela esteja segura e fortalecida. Crianças que não crescem moldadas, que são educadas com mais criatividade e liberdade, quando adultas tomarão decisões por conta própria com muito mais sabedoria e segurança do que aquelas que cresceram expostas a uma realidade doutrinadora e limitadora.

Precisamos criar humanos capazes de encontrar a felicidade dentro deles, e pra isso precisamos nutrí-los de afeto e atenção. Precisamos criar humanos que não apenas respeitem e preservem, mas que venerem a terra e os alimentos. precisamos criar humanos empáticos. Se conseguirmos fazer uma mudança dentro de nossa casa, ela vai pro mundo. Assim nossos filhos, os adultos do futuro, serão capazes de nutrir seus filhos de afeto e não de presentes.

Nosso papel fundamental e urgente é evitar que nossas crianças cresçam consumistas, manipuláveis e desvinculadas da realidade, em favor desse sistema capitalista do consumo exagerado e desnecessário imposto e empurrado goela abaixo diariamente! Precisamos fazê-los refletir junto, precisamos disso? Por que estamos comprando isso? Não há melhor maneira de educar crianças (e adultos!) do que através do questionamento! Ainda mais se queremos educar seres proativos, pensantes e questionadores (e não “foma-atados”), ao invés de uma massa de futuros adultos passivos e receptivos de todo e qualquer lixo jogado na sociedade através das propagandas. E isso vale para tudo: de propaganda política às discussões que temos em nossos círculos sociais.

Temos que criar seres que não fiquem sentados, aceitando passivamente um sistema em que damos nosso sangue para sustentá-lo, trabalhando horas para receber os recursos necessários para consumir o que quer que querem que compremos, inclusive o que não precisamos! Como será o futuro com um planeta lotado de lixo? Nosso consumo compromete diretamente a natureza pois a fabricação do que consumimos a polui e degrada.

Além de tudo que se aplica à publicidade e ao consumismo adulto, a propaganda voltada pra criança é covarde, é uma falta de compromisso com o futuro, com o coletivo, com a humanidade e com o planeta. Pais, sociedade e Estado precisam assumir sua responsabilidade diante da infância e do futuro do planeta.

Existe um Manifesto circulando pela internet e num de seus trechos ele menciona: “A publicidade voltada à criança contribui para a disseminação de valores materialistas e para o aumento de problemas sociais como a obesidade infantil, erotização precoce, estresse familiar, violência pela apropriação indevida de produtos caros e alcoolismo precoce. Acreditamos que o fim da publicidade dirigida ao público infantil será um marco importante na história de um país que quer honrar suas crianças.”

E você, o que pensa de tudo isso?

_______________________________

 

Texto escrito a 16 mãos por: Ana Cláudia Bessa, Ceila Santos, Maria Rê Carriero, Renata Gonçalves, Renata Matteoni, Rita de Cássia Couto, Silvia Schiros e Taís Vinha.

Posts e continuações deste debate:

Parte 1:  http://futurodopresente.com.br/blog/index.php/2010/03/publicidade-infantil-proibir-ou-nao/

Parte 2:


Tags:  consumismo consumismo infantil publicidade publicidade infantil

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Mariana Sá




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May 29, 2012

Não achei nenhum outro canal, nem na página no facebook para conseguir falar com vocês.. Não sei se já viram, mas achei muito interessante e importante a campanha do Ministério da Justiça sobre a classificação indicativa de produtos e programas com relação às crianças.
Segue página que contém artigos, manuais, cartilhas e dois vídeos ótimos que estão sendo transmitidos na TV:
http://portal.mj.gov.br/classificacao/main.asp?Team=%7BF82F7DA9%2D452E%2D43A8%2DB6AD%2DE02FABFC6570%7D
Obrigada
Até mais


May 30, 2012

O texto encerrou bem a “série” e serve de ponto de partida para quem está interessado no assunto e ainda não se situou direito. O que chamo de “situar direito”? Temos a ascenção das Classes C e D no mercado consumidor, foco de novelas globais e propagandas de todo tipo. Não acho que essas classes consumam mais do que a A e B, de jeito nenhum, mas possivelmente seja menos preparada para compreender as armadilhas das propagandas, afinal balançaram o Baton na cara delas a vida toda COMPRE BATON, COMPRA BATON e agora que podem comprar, vão mais é comprar mesmo! O Governo baixa IPI de veículos e quer que o povo ande de bicicleta p/ diminuir o caos nas cidades. Diminui o rendimento da poupança p/ o povo parar de consumir – dá para entender? Não, esse mundo não é fácil de entender e a gente precisar estar SEMPRE se situando nele.


Aug 27, 2012

Oi gente! Hoje, pra minha surpresa, vi a que a reportagem de capa da Revista O Globo de domingo trazia a questão da publicidade infantil, mostrando o absurdo das propagandas em brinquedos! Apesar da reportagem não ter dado espaço suficiente para mães e pais comentarem (e vi que eles colocaram um trechinho muito pequeno de fala da Taís Vinha), achei muito positivo trazerem o tema para a capa. Apesar do representante da Estrela dizer que a propaganda nos brinquedos é direcionada para os pais (o que obviamente uma grandissíssima mentira), a revista deixa bem marcada a expressão “publicidade infantil”. Me parece que esse tema é novo na mídia de massa, e está conseguindo quebrar as barreiras do controle das grandes corporações. Acho que a revista merece uma carta do Movimento, marcando sua presença, sua atuação, e reivindicando quem sabe um espaço maior no futuro para continuar debatendo o assunto com o grande público.

Eu, pessoalmente, acho que as crianças podem ter contato com a publicidade, mas de forma mais dosada e responsável. Acho que as escolas deveriam ajudá-las a criar capacidade crítica, nesse contato. Mas, sou a favor de reduzir drasticamente a quantidade de propagandas e a barrarem o uso de brinquedos para qualquer tipo de publicidade. Isso é uma invasão, um desrespeito, uma falta de ética total. E mais uma coisinha: a matéria da revista coloca como se a “guerra” fosse entre os pró-mercado e os contra-mercado, como se uma empresa (inserida no mercado capitalista) não pudesse manter uma relação respeitosa e saudável com a publicidade, como se os pais que se opõe a publicidade infantil fossem uns comunistas “diabólicos” rsrs.

Beijos e contem comigo para o der!



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