No dia das crianças, não jogue o jogo da publicidade

É verdade que brinquedos podem ser um excelente suporte para brincadeiras. É verdade também que as crianças estão a quase sete meses fora da escola, dos parques, das praças, das ruas e das praias. É verdade que as telas antes limitadas a poucos minutos quando já liberadas, agora está tomando o tempo das crianças, porque afinal temos que dar conta das atividades remuneradas e domésticas, enquanto as crianças estão em casa.

É verdade que as crianças também precisam dar conta das atividades escolares por meio também das telas. É verdade que acabamos flexibilizando o uso de dispositivos e tudo que a gente queria era ter tempo para colocar algo no lugar deles.

Abrimos exceções em nome de encontrarem os amigos virtualmente onde estes se encontram (em jogos, grupos de conversa, redes sociais, etc). Aplicativos e jogos que não imaginávamos liberar tão cedo estão ao alcance dos olhos, ouvidos e dedos das crianças por mais tempo que a gente sonhou.

É verdade também que andamos culpadas e tentando compensar para nossas crianças essa realidade que está sendo particularmente desafiadora quanto menor e mais sensível é a criança: imagine se inventassem algo para mitigar essa angústia? Acontece que a nossa culpa e a nossa tristeza com a situação das crianças é uma grande brecha que pode ser explorada pelo marketing e pela publicidade. Reparem como os anunciantes exploram bem essas vulnerabilidades para chegar no nosso bolso.

Nosso convite é à reflexão: precisamos refletir antes de comprar brinquedos ou dispositivos eletrônicos neste dia das crianças. Afinal ter um brinquedo em casa não é garantia de redução do uso de telas e ter um novo dispositivo eletrônico também não é garantia de felicidade infantil.

Não jogue o jogo da publicidade, a mera existência de um brinquedo novo em casa não cria o milagre que todos queremos, “crianças felizes fora da tela”.

Então antes de comprar, diferencie o consumismo do consumo consciente:

– Avalie a disponibilidade dos adultos da casa para brincarem com as crianças: é possível organizar a rotina para reduzir o tempo de telas?

– Faça uma arrumação nos brinquedos: separe os que estão em bom estado e adequados à faixa etária da criança e teste brincando. Os brinquedos da casa continuam divertidos e atraentes?

– Troque brinquedos à distância: é possível organizar com as famílias conhecidas um rodízio de brinquedos com a devida segurança sanitária?

– Doe os brinquedos em bom estado para crianças que possam aproveitá-los e destine os brinquedos quebrados ou com peças faltantes para pessoas que trabalhem com reaproveitamento ou para reciclagem.

– Faça uma busca nas memórias e ensine ao seu filho brincadeiras da infância da família: já imaginou os avós, dos tios ou os amigos ensinando brincadeiras antigas para a nova geração da família?

– Antes escolher um dispositivo eletrônico esteja atenta às consequência do uso excessivo e da possibilidade da crianças acessar jogos e grupo inadequados para a idade.

– Considere a possibilidade de alugar brinquedos como uma forma de testar antes de comprar e também de ter sempre brinquedos novos sem precisar acumular ou gastar muito.

– Se decidir comprar um novo brinquedo, avalie a sua condição financeira e a qualidade do objeto: como seu filho soube da existência do brinquedo? A fabricante tem boas práticas de mercado? Anuncia via influenciadores mirins? Uso plástico em excesso? Faz publicidade dirigida diretamente à crianças?

– Uma vez decidido pela compra, cuide da saúde: não leve a crianças para a loja. Não tope aglomerações em busca de brinquedos e dispositivos em promoção. Aliás fique atenta às lojas que estão fazendo grandes promoções e estimulando aglomeração dentro ou na porta dos seus estabelecimentos.

Seja como for, não se deixe levar por promessas, ilusões e culpa. Não jogue o jogo da publicidade!


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