campanhas / 8 de outubro de 2012

Menos presentes, mais presença – Neste Dia das Crianças, tire o foco do consumismo

Pais e mães estão ocupados demais. Trabalhamos o dia inteiro, temos muitos afazeres e ainda há outros fatores que roubam nosso tempo de convivência em família (o trânsito, por exemplo, é um problema em várias cidades brasileiras). Em muitas famílias, a renda do trabalho da mãe é parte essencial do orçamento familiar, o que obriga muitas mulheres a voltarem a trabalhar tendo um filho de 4 meses em casa. Como falar da importância da presença a uma família tão ocupada? E por que falar disso às vésperas do Dia das Crianças?

267542_387235938017030_322254917_nQuando estamos no olho do furacão da rotina diária, acabamos nos apegando a detalhes pouco importantes. Imagine a cena: seu filho vê sei lá quantas vezes a propaganda do novo trenzinho elétrico. Na peça publicitária que anuncia o brinquedo, está lá toda a família sentada em volta do trem armado no chão da sala. Isso não é à toa: os anunciantes se aproveitam dessa fragilidade familiar para usar seus produtos como solução para tal ausência. O efeito é imediato: “Mãe, pai, quero esse brinquedo!” Os pais, sobrecarregados, se desdobram para realizar o desejo do filho, afinal, se eles não podem estar presentes, podem ao menos realizar seus desejos. O trem é utilizado por algumas semanas antes de ser abandonado em um canto do quarto.

O que será que essa criança queria? O trem ou toda a família sentada no chão da sala? Segundo uma pesquisa do Datafolha encomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (e publicada na revista Época em maio deste ano), o menino provavelmente queria a segunda opção. A pesquisa, que ouviu crianças de 4 a 10 anos em 131 municípios brasileiros, descobriu que o que deixa nossos filhos felizes são coisas simples, como ficar com a família, brincar com os amigos, praticar esportes. Noventa e seis por cento das crianças ouvidas apontaram o dia do aniversário como um dos mais felizes. Seria por causa dos presentes? Não! É porque, nesse dia, recebem todas as atenções. Mas a indústria usa uma linguagem sutil que nos impele a pensar que, quanto mais caro e maior o presente, mais seremos felizes e faremos nossos filhos felizes.

“Certo”, pensa você que está lendo este texto. “Mas como fazer isso? Trabalho muito, há dias em que chego muito tarde e mal consigo ver as crianças. Como estar mais presente na vida de meus filhos? Como escapar dessa armadilha engendrada de maneira sofisticada pelos departamentos de marketing?”

Que tal dedicar os fins de semana a eles? A babá precisa mesmo ir ao parque com vocês no sábado de manhã? No dia das crianças é feriado, que tal um grande almoço em família, daqueles que seguem pela tarde, com todos os primos correndo pela casa? E nas férias, por que não escolher um destino que agrade a toda a famíla para que possam ir juntos? As crianças crescem, daqui a pouco terão suas próprias famílias, turmas de amigos… Será que você não vai sentir saudades dessa época, em que tudo o que elas queriam era fazer um castelo de areia com o pai e a mãe? Esteja atento aos “eu quero esse” do seu filho, ele pode estar apontando para o cenário da propaganda e não para o brinquedos!

Por que falar deste assunto no Dia das Crianças? Porque são em datas como esta que o comércio tenta nos pegar pelo pé. Afinal, quem não gosta de presentear aqueles que ama? E qual o problema de dar um presente para as crianças?

Não há problema nenhum em dar um presente para seu filho! Mas vamos pensar no papel do presente em um dia como esse? A criança não precisa do maior e mais caro brinquedo da loja (aquele que você vai pagar parcelado até o próximo dia das crianças) para ficar mais feliz. Assim como não precisa do maior ovo de páscoa ou ganhar montes de presentes no Natal… A criança precisa da família. Que você se sente no chão da sala e brinque com ela e o novo brinquedo. Ela precisa passear no parque ao ar livre e aprender a fazer um castelo de areia. Mas isso não dá lucro a ninguém: só ao seu filho!

E aí? Vamos fazer deste Dia das Crianças um dia inesquecível para toda a família?

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Neste Dia das Crianças, tire o foco do consumismo.


Tags:  #tireofocodocnnsumismo Dia das Crianças mais presença tire o foco do consumismo

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Mariana Sá




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18 Comments

Oct 08, 2012

VAMOS! Desde que minha filha nasceu eu e meu marido sempre pensamos em passar o dia das crianças com eles, passeando, se o clima permite, ou em casa mesmo, rolando no chão, brincando com massinha, fazendo as refeições juntos em meio a muita risada, algumas broncas (afinal não somos família margarina), mas definitivamente juntos. Estamos conseguindo! Minha filha mais velha não associa essas datas a presentes, mesmo ganhando uma lembrancinha. Grande abraço!


Oct 08, 2012

Maravilhoso! A mais pura verdade! Os pais sumiram das pracinhas, sumiram do play, não “perdem mais tempo” cuidando dos filhos, imagine brincando! Até para viajar levam a babá, ficando 3 adultos para 1 criança muitas vezes. Esse é um dos temas que mais faço questão de escrever em meu blog. Super apoiado e compartilhado! Parabéns!!

Jamile
Mãe para Mães
http://www.maeparamaes.com
facebook.com/maeparamaes


Oct 08, 2012

Meu filho de 3 anos ganhou uma bicicleta do homem aranha que tanto queria dos avós. Adivinha qual foi a primeira coisa que ele fez quando chegou em casa com a bicicleta? Deixou-a de lado, agarrou o pai e falou, vamos brincar papai? E saiu correndo atras dele… Nos somos muitoparecido importantes pra eles do que imaginamos…


Oct 08, 2012

[…] Infância Livre de Consumismo oferece sugestões de convívio saudável, sem condenar o ato de presentear. Podemos estar presentes […]


Oct 08, 2012

Minha filha tem 4 anos e completa depois do Dia das crianças. Como minha família materna é pequena e a paterna não está nem aí para isso de presentear então ela não sabe o que é Dia das Crianças. Por ser feriado, é um dia a mais com a mãe em casa. Como nos demais dias, brincamos, às vzs saímos, vamos à pracinho, assistimos ao filme que ela já viu 600 vezes (eu eu apenas 200). É um dia bem comum e acho tão importante que esse tipo de texto que vcs fazem seja feito porque sou a única pessoa que conheço que não se liga em datas comerciais. Por isso: supervaleu! Compartilhei com tod@s @s colegas de trabalho e contatos imediatos da net. Bjus


Oct 09, 2012

Ótimo, ótimo texto. Nunca dei presente de dia das crianças para meu filho, de 3 anos e meio. Esse ano quero fazer um piquenique, passar uma tarde gostosa com ele, fazendo coisas que ele gosta. O significado dessa data vai bem mais além do que dar um presente!
Acabei de publicar um texto sobre isso em meu blog e linkei pra cá, ok? Segue o link:
http://maedobento.blogspot.com.br/2012/10/dia-das-criancas-sem-brinquedo.html
bjos


Oct 09, 2012

[…] O texto fala sobre a real vontade das crianças (pelo menos na maioria das vezes) quando elas nos pedem um brinquedo que viram na TV. Recomendo a leitura do texto “Menos presentes, mais presença”. […]


Oct 09, 2012

Recentemente passei boas horas brincando com a minha filha de três anos ao ar livre – o meu envolvimento era total, não estava preocupado com horário, nem tão pouco tinha outra meta de lazer em mente, a não ser aproveitar o momento com ela. Brincamos com outras crianças, brincamos sozinhos, contei histórias e inventei muitas outras. Procuramos o lobo mal, cozinhamos os três porquinhos e paramos para tomar um suco. Ao final, cansada, ela me pediu colo, e sem o mínimo de expectativa, ouço uma confissão no pé do ouvido: “pai, eu vou te amar para sempre”.


Oct 09, 2012

Concordo plenamente! Não vou ser hipócrita e falar que não gosto de dar presentes pra minha filha pq adoro, mas procuro comprar sempre algo que eu possa aproveitar junto com ela… para agora, comprei um jogo que ensina o alfabeto, justamente pra poder brincar com ela, ao mesmo tempo que vou procurar ensina-la… e por mais incrível que pareça, o presente que ela mais gosta de ganhar (a ponto de entrar em lojas de brinquedos e não pedir nada, mas entrar numa livraria e pedir) é livros, pq ela pega o livro e ou “conta” a história pra gente, ou pede para nós contarmos… e isso com apenas 2 anos e meio… e isso, é algo que não exige tanto quanto levar ao parquinho, mas é tão gostoso para ela quanto ir ao parque do condomínio. Antes de meu marido sofrer um acidente a 1 mes e pouquinho atrás, todos os fds procurávamos sair com ela, justamente pq eram os únicos dias que tínhamos para os 3, e a felicidade estampada no rosto dela muitas vezes só por andar com os pais, já tira todo o cansaço de uma semana inteira de dupla jornada (serviço + casa) – agora os passeios diminuiram, mas as sessões de leitura e brincadeiras em casa aumentaram.


Oct 10, 2012

No meu cotidiano é somente o que vejo, crianças com pais que usam os brinquedos e jogos para compensarem a ausência. Um equívoco que deve ser reparado o quanto antes, pois sabemos bem, como diz o texto, que logo nossas crianças vão crescer e vão ficar apenas o sentimento de que “eu poderia ter feito mais”.
Parabéns pelo texto.
Estou levando para meu blog com os devidos créditos.


Oct 10, 2012

Por que que todos pais que presenteiam os filhos são pais ausentes?
Ai ai ai acho que o mundo hoje é muito cruel, e para mim maternar virou sinonimo de provar que um jeito de educar é melhor.
Eu sou mãe que trabalha e falta no serviço quando o filho está doente. Adoro passar meu tempo livre com ele, fazendo mil coisas ou apenas deitados juntinhos. E amo ver a carinha dele quando eu dou presente. E só dou presente em data comemorativa, por que presente para im não é a qualquer hora não. Eu sou assalariada preciso me programar para fazer gastos (mesmo de baixo valor), então me programo para nas datas poder presentear. E não, não me sinto uma mãe ruim. Desculpa sociedade.


    Oct 10, 2012

    Maria Carolina, eu como você adoro dar presentes, mas também os limito às datas comemorativas pelo mesmo motivo que o seu, mas em contrapartida tento mostrar pra ela que o mais legal do presente é aproveitar pra brincarmos juntas! E sempre tento ensiná-la que o presente é só um símbolo e que não é o acontecimento mais importante desse dia! Não acho que necessariamente os pais que presenteiam são ausentes não!


      Oct 11, 2012

      Adorei seu comentário. É muito legal comprar um brinquedo e brincar junto. Eu tento ensinar o Bruno que as coisas custam dinheiro, que nada vem fácil. Uso essas datas para explicar isso. Tudo tem seu preço e tempo.

      Hoje eu vejo uma febre de mães que julgam. Será que foi sempre assim ou é moda da modernidade?


        Oct 11, 2012

        Olha, também não sei como era antes, mas muitas vezes me sinto julgada sim! Ainda bem que confio muito nas minhas decisões! Rs…


Oct 14, 2012

Muito legal e necessário o ILC! Estamos em total sintonia, como apontou uma amiga depois de ler o poema “Presente do Dia”, que publiquei no blog no qual publico semanalmente – http://poemacurta-metragem.blogspot.com.br

Em frente à vitrina
Gritavam: “Eu quero!”
E a voz de cima
Respondia: “É caro!”

Com as mãos cheias
Diziam: “Não temos!”
E a carteira vazia
Concordava: “Não mesmo”.

No cinema em casa
Pediram: “Pipoca!”
“Isso sim!”, salgada
E doce em balde colorido.

Jogaram na sala
Bola, taco, mico
E o presente do dia:
Pai e mãe na roda.


Oct 22, 2012

É impressão minha ou o texto/ proposta se entende as classes socioeconomicaculturais mais altas??? Será que as classes mais baixas se deparam com tal realidade? Não imagino que levem babás ao parque para passear… elas são as babás… seus filhos certamente, acessam ainda menos seus pais.


Jun 06, 2013

Em Angola, não foge muito a vossa realidade. Os pais agora presenteiam os filhos com coisas muito caras para compensar a ausência, esquecem que o maior presente é precisamente a presença deles.
O GOSTOSO PARA MIM É VER A MINHA FILHA DE 2 ANOS RECEBER-ME COM UM CALOROSO ABRAÇO E BEIJAR-ME DEPOIS DIZ-ME TE AMO MAMA. rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsr…
Daí ter escolhido uma profissão liberal, porque eu disse para mim mesmo, eu quero ser uma mãe presente e não ausênte.


Jan 09, 2015

[…] Leia mais: Menos presentes, mais presença […]



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