destaque_home / milc / 28 de março de 2020

Fique em Casa

Texto especial para o Milc de Mariana Sá*

Estão estrando nosso silêncio? Estamos aqui, as três, como muitas de vocês, sustentando a vida fora do tempo.

Temos o privilégio de exercer nossas atividades em casa. Estar em casa é dar conta da mistura de tarefas domésticas, acadêmicas, políticas e familiares, com a necessidade de nos manter em boas condições de sanidade mental.

De manter alguma esperança.

Esperança de que tantas mortes (pela doença e, no futuro, pela pobreza) não sejam em vão.

Esperança de manter algum otimismo de que – assim como há alguns séculos saímos da Idade das Trevas por conta de uma peste – agora a gente consiga reunir indignação para romper com esse modo de vida centrado nas iniquidades, na expoliação e no individualismo. Acabar com este foco na escassez.

Esperança que, de alguma forma, a gente veja o que é essencial à vida e consiga romper com este nosso modo de vida centrado no consumo de irrelevâncias.

Esperança que – assim como a Segunda Guerra Mundial, ao seu fim, criou a ideia de um Estado de Bem Social – ao terminarmos a inevitável contagem dos corpos, nos caia a ficha da necessidade de revolucionar esse Estado. Não de acabar com ele, como prega a hegemonia atual. Um novo estado que, de uma maneira mais solidária, dê conta de prover a sobrevivência digna de todos e a cada um.

Um Estado, apoiado por organismos globais e financiado por quem consegue acumular mais, que possa promover em cada nação as redes de proteção social e de bem estar, respeitando seus modos de vida, sua história e sua cultura.

Estamos silenciosas. É muita informação. É muito barulho. Pela primeira vez o humano vive uma quarentena conectado (ainda bem!).

Porém essa des-solidão, essa conexão permanente e em excesso, essa quantidade de opiniões contraditórias e essa torrente de suposições sobre o futuro, nos tira a sanidade, a esperança e o otimismo.

Nos debilita.

Nos adoece.

Até agora optamos por ser silêncio no meio dessa barulheira. Estamos nos organizando emocionalmente.

Se pode ficar em casa, honre seu privilégio por quem precisa sair.

Se precisa trabalhar se cuide direitinho.

E defenda o SUS!

@iris.ilustração no instagram

Imagem escolhida e cedida por @iris.ilustracao.

Mariana Sá é mãe de dois, publicitária e mestre em políticas públicas. É cofundadora do Milc e membro da Rebrinc. Mariana faz regulação de publicidade em casa desde que a mais velha nasceu e acredita que um país sério deve priorizar a infância, o que – entre outras coisas – significa disciplinar o mercado em relação aos direitos das crianças.


Tags:  corona virus covid-19 maternidade políticas públicas

Bookmark and Share




Previous Post
Natal: uma reflexão sobre o consumo infantil
Next Post
Tem MUITA coisa que a gente não pode fazer. E MUITA coisa que a gente pode



Movimento Infância Livre de Consumismo




You might also like




0 Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *



More Story
Natal: uma reflexão sobre o consumo infantil
Texto especial para o Milc de Daniela Teixeira* Com a proximidade do Natal, é comum que as crianças fiquem ansiosas...