livros e filmes / 2 de julho de 2013

A TV e os bebês: Em defesa do faz-de-conta

~Recomendação de leitura~

Texto de Camila Sant’Anna*

O livro Em defesa do faz-de-conta explica bem as diversas maneiras como o desenvolvimento infantil é afetado. Explica como a criança usa as brincadeiras lúdicas pra lidar com os conflitos do dia-a-dia, seja uma nova escola, a chegada de um irmão, a separação dos pais ou até mesmo uma doença grave, e mostra que atualmente estamos tirando das crianças essas possibilidades.

Estamos deixando-as tempo demais na frente da televisão e, como todos sabemos, a informação vem pronta na TV: a criança não imagina nada, não elabora nada, não abstrai, só assiste. Ela é passiva diante da tela. Por outro lado, enquanto brinca ela é ativa, expõe seus sentimentos nas brincadeiras. Privar a criança disso é, sob vários aspectos, muito prejudicial.

Não existe isso de “desenho de criança”. Inclusive uma das ONGs mencionada no livro entrou com um processo contra Disney e a marca “Bebê Einstein”, que a empresa afirmava ser educativa. O processo pedia para retirar essa propaganda dos produtos, uma vez que não existe estudo nenhum comprovando que de fato esses DVDs ajudem no desenvolvimento da criança.

No mais é aquilo que a gente sabe, radiação, venda de produtos, direcionamento da brincadeira. O livro cita um exemplo simples, de uma criança que desenhou um dos personagens do Harry Potter, aí veio outra criança e falou que o desenho dele estava “errado”. Por quê? Porque ela tinha visto o filme e o filme mostrava que o personagem não era daquele jeito. Entendem onde eu quero chegar? A imagem já existe, já está pronta, não ha espaço para a criação quando colocamos nossos filhos sentados diante da TV. Se eu conto uma história da galinha pintadinha pro meu filho, na cabeça dele, ela pode ser qualquer uma, de qualquer tamanho, cor, jeito. Se ele vê um desenho, a “galinha pintadinha” dele vai ser igual à de todo mundo.

A autora do livro trabalha com fantoches para ajudar crianças que passam por traumas. Ela diz que é preciso usar a brincadeira para conseguir trabalhar com as crianças. Ela dá pequenas dicas de como evitar associação a marcas, como  comprar brinquedos “neutros” ao invés de “personagens”. Aqui eu tenho ficado bem atenta. Se meu filho quiser um ursinho, vai ganhar um ursinho e não o Pooh… Ela diz que quanto menos informação pré-estabelecida nos brinquedos, melhor.

Título: Em defesa do faz de conta – preserve a brincadeira em um mundo dominado pela tecnologia

Autor: Linn, Susan

Tradutor: Isidoro, Debora

Editora: Best Seller

Assunto: Psicologia – Terapia Familiar

Leia outra resenha sobre o livro aqui

Leia mais sobre a relação entre a televisão e o sono

*Camila é mãe de Mateus, de um ano, é bióloga e mora em Niterói.


Tags:  brincadeiras brincar Em defesa do faz de conta livros proteção à infância Susan Linn

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Mariana Sá




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0 Comment

Jul 02, 2013

Camila, adorei o texto e vou ler o livro! É isso mesmo, a imaginação faz parte de todo processo de evolução, inclusive da criança. Obrigada pela grande dica, abraços…Suzana


Jul 03, 2013

Oi Camila, amei o post e vou procurar o livro. Será muito importante para mim que quero encomendar um bebê em breve.
Muito obrigada pela dica


Dec 12, 2013

“Desenho de criança” só como classificação indicativa, que tb tem em filmes e programas de televisão. Mas no fim, até nós ( adultos)_ deveriamos sair um pouco de frente da caixa de imagens e permitir nossa imaginação voar…se for com os filhos melhor ainda!!!


Dec 13, 2013

Li o livro e achei excelente, com forte argumentos pela necessidade do faz-de-conta inclusive para a formação das crianças, para que, ao crescer, tornem-se cidadãos conscientes, ao invés de consumidores passivos.


Dec 27, 2013

Adorei o texto e vou atrás do livro.
O movimento aqui em casa foi de cancelar a TV a cabo poucos meses depois que minha filha nasceu.
Gostaria de saber se há mais livros que tratam desse assunto e tbm da super exposição das crianças à publicidade e suas consequências.
Obrigada e um ótimo final de semana



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